A deficiência silenciosa e o preconceito


“O preconceito faz você ganhar tempo. Você pode formar opiniões sem ter que entender os fatos” ~ E. B. White

“O preconceito é o filho da ignorância” ~ William Hazlitt

Queria falar sobre deficiência e preconceito.

O motivo é que muitas pessoas me procuraram depois daquele post “Como é o Theo, preconceito e Inclusão” para dizer que passaram a ficar mais atentas com relação ao comportamento dos coleguinhas dos filhos, das crianças nas ruas e nos shoppings. Isso é muito legal, porque é esse, mesmo, o objetivo!

Estamos falando, aqui, de levantar a conscientização para um transtorno que atinge 1 em cada 58 crianças segundo a estatística americana. E que, pela grande amplitude de seu espectro, pode deixar uma criança quase totalmente desabilitada como, também, pode parecer apenas uma “excentricidade” ou esquisitisse, como se diz por aí.

A deficiência silenciosa

Minha preocupação, nesse caso, é com os tipos moderado e leve de autismo. Uma criança com autismo severo é fácil de reconhecer, assim como uma criança com síndrome de down, ou com paralisia cerebral. Quero deixar claro que não estou diminuindo a importância desses casos, de forma alguma. Mas o objetivo, aqui, é mostrar o preconceito que atinge as crianças com a “deficiência silenciosa”, aquela que não “dá na cara”.

Theo é um desses. Como já mencionei anteriormente, não é “batendo o olho” nele que você percebe que tem algo de diferente. À primeira vista, parece uma criança tímida, calada. E, daí, vem alguns problemas pelos quais passamos.

Um bom exemplo é a fila preferencial. Aquela que é exclusiva para pessoas com deficiência, idosos, gestantes ou mães com filhos de colo. Sempre que vamos ao supermercado e as outras filas estão cheias, pegamos a preferencial. (Caro leitor, não queira saber o que é uma criança autista entediada com a fila que não anda!). Não foram raras as vezes em que percebi olhares tortos, cochichos e toda a sorte de reações desagradáveis à nossa presença ali.

O que foi totalmente diferente na semana passada, quando vi um casal com um filho autista severo nessa fila. Todos os presentes olhavam com uma certa condescendência, porque a criança dava na cara que tinha algum tipo de deficiência.

Outro exemplo foi a última vez em que viajamos, os três, para minha cidade natal, de avião. Pegamos a fila preferencial da TAM. Nesse dia, especificamente, a fila dava voltas no corredor. A aeromoça estava, gentilmente, retirando dali pais com crianças acima de 2 anos de idade. E foi assim que nos abordou: “olá, qual a idade dele?”. Leandro respondeu que ele tinha 3 anos. A resposta foi “senhor, a fila da prioridade é só para pais com crianças até 2 anos”. Leandro gentilmente explicou que o Theo era autista. E tudo bem.

Dez minutos depois, chegaram um rapaz e sua esposa grávida. Visivelmente irritado com o tamanho da fila dita “preferencial”, ele comentou, logo atrás de mim: “e esse menino? Desse tamanho? O que tá fazendo aqui?”. O leitor pode me imaginar contando até dez, mentalmente, nesse momento. A única coisa em que eu conseguia pensar era “que bom que fui eu que ouvi, e não o Leandro”. Ponto.

Estava conversando com minha amiga Fabiana Dezidério, do “Conversa de Mãe“, ontem. Ela me contou um caso interessante. Estava em uma livraria com o filho um dia desses. O Joaquim se distraía animadamente com um brinquedo quando, de repente, um menino simplesmente tomou-lhe esse brinquedo. O primeiro impulso de qualquer mãe é ficar “emputecida” com esse tipo de situação. Mas a Fabiana lembrou do que eu tinha contado no blog, prestou atenção nesse menino – aparentemente mal educado – e…e percebeu que tinha algo de diferente ali. Um possível autista. Até ri da situação, porque o Theo faz exatamente isso: quando vê outra criança com um brinquedo interessante na mão, ele vai lá e toma! Claro que a gente sempre corrige, mas a gente entende que, certas convenções sociais, pra ele, são mais difíceis de entender.

E, com isso, eu encerro o post de hoje. Se o preconceito vem do desconhecimento, você, leitor, não tem mais desculpa! Claro que a gente não consegue ser racional 100% do tempo, mas precisamos tentar. Por uma sociedade mais justa.

Que tal começar a exercitar esse “olhar diferente” com a criança que está gritando ao seu lado na fila do supermercado?


Imagem: Shutterstock

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