Autismo e alimentação caseira e natural


Jose e Gui (arquivo pessoal)


Oi gente! Tudo bem? Vamos dar uma conversada sobre dieta?

CALMA! Não vou levantar bandeirinha nem vou passar lista de medicamentos ou suplementos. Nada disso! Vamos, aqui, bater um papo para lerem minha história e conhecerem outra alternativa.

Pra começar, deixa eu me apresentar: alguns devem me conhecer virtualmente através da moderação da fanpage, mas pra quem não teve ainda o prazer, sou a Jôse Santana, psicóloga por formação, fotógrafa por paixão e profissão e mãe do Guilherme, autista, 7 anos de delicinha.

Bom, o Guilherme foi diagnosticado aos 3 anos, mas o histórico gastrointestinal dele vem lá dos 4 meses de vida. Resumidamente, ele não engordava, aos 4 meses estava no leite materno exclusivo e, pela curva de crescimento, estava à beira da desnutrição, então o pediatra passou NAN, e no primeiro gole o menino ficou ROXO, sem ar, e nós desesperados. Daí por diante, foram exames, troca do leite, eu entrei na dieta também pois amamentei até quase 2 anos, e desde então ele não consome nada com lactose.

Guilherme foi crescendo e nunca senti necessidade de apresentá-lo a biscoitos doces, sorvetes, refrigerantes, chocolates e afins, e isso facilitaria muito minha vida mais tarde.

Até os 4 anos, o Gui só comia nas refeições principais sopa bem pastosa. Não aceitava outras texturas a não ser na tranqueiragem (sim, de algumas tranqueiras não consegui fugir), e esse processo de transição pra comida de verdade foi bem difícil e gradual. Mas, aos 4 anos, ele descobriu arroz com feijão e se apaixonou, e esse combo se tornou meu melhor amigo de todas as horas. Neste mesmo ano, após um congresso, decidimos sair de nossa terra natal para dar ao Gui um suporte que não tínhamos condições de custear lá, e viemos morar no interior de São Paulo.

Neste ponto da vida do Gui, ele estava diagnosticado há dois anos e o comportamento dele era clássico: batia muito a cabeça ao ser contrariado ou frustrado, ria e chorava sem motivos aparentes, tinha episódios de auto e heteroagressividade, mudava de humor em segundos, tinha a tolerância baixíssima, ouvia um “não” já entrava em crise, tinha muitas estereotipias que iam desde roer móveis até abrir e fechar 987 vezes as portas de tudo.

Se saíssemos e ele visse que não estávamos indo para onde ele imaginou que íamos ou tinha costume de sempre ir, era estabelecida a quarta guerra mundial. E, meus amigos, tudo isso dependendo de busão, lisa lesa e louca comprando fiado e pedindo troco, com plateia na rua nos julgando e eu querendo apenas sentar e chorar (certeza que muitos sabem do que estou falando!).

Pois bem. Com a vida nova, comecei a ler mais sobre dieta, primeiramente, super seduzida pelas promessas, pelos milagres que li, pela tentação de até quem sabe ver meu filho curado, afinal, algumas vertentes prometem isso. E, assim como a decisão de mudar de cidade deixando tudo pra trás, um belo dia, eu decidi: vou tirar o glúten do Guilherme e procurar um homeopata. Não me custa tentar. (A homeopatia é um capítulo à parte. Quando a Déa me convidar de novo, falo disso. Não usamos mais porque, pra gente, não funcionou) 

Só que devo confessar que desanimei ao ver quão caros eram os suplementos e o tanto que as pessoas se sacrificavam para comprá-los. 

Como cresci comendo bem, nordestina daquelas que lanche é um prato de mocotó com farinha, e até o sanduíche é adubado com muita sustância, ao mesmo tempo em que estava lendo muito o blog da Pat Feldman e outros, decidi fazer de uma forma mais simples. Nessa altura do campeonato, Guilherme comia muito biscoito cream cracker, pão, miojo e batata industrializada. Como eram poucas coisas, minha medida para retirada disso tudo foi: Não comprar. As versões sem glúten de tudo custam uma córnea, então, sem chance de perder meus olhos em duas semanas por causa de um pacote de biscoito sem glúten. Decidi não substituir, e sim, adicionar novas opções.

Com a resistência dele ao novo, e a frutas e legumes por conta da textura, passei a processar tudo e jogar nos caldos, no feijão e no arroz. Então o prato de feijão que ele comia antes, continuava sendo arroz com feijão, mas feijão marombado: couve, cebola, alho, coentro, salsinha, abobrinha, espinafre, e o que mais tivesse em casa. O arroz virou arroz de cenoura com pimentão vermelho e o que tivesse, a carne cozida passou a ter um caldinho mais grosso, porém bem vitaminado com essas coisas processadas, tutano, talos. E sério, o gosto e a textura continuam praticamente os mesmos.

A partir disso, resolvi plantar. Tive uma vizinha muito querida que amava plantas, e eu, que era um ser incapaz de plantar qualquer coisa verde, plantei alface, couve, manjericão, cebolinha, coentro, pimenta, hortelã, alecrim, cúrcuma, gengibre…já estava uma agricultora de subsistência! E sim, sou dessas: jogo a semente e rego. Preciso de plantas fáceis e comestíveis que eu possa colher e tacar na comida.

Com um mês e meio nesse ritmo, a escola me chamou e eu pensei: “lá vem reclamação!!!”. Me questionaram se eu aumentei a medicação do Gui, pois ele estava mais calmo, mais tolerante, concentrado, estava diferente, e elas precisavam da receita para anexar na documentação dele (mal sabiam que ele estava desmamando da medicação TAMBÉM). E eu comecei a notar que, de fato, ele estava mais tranquilo, menos ruidoso, batia menos a cabeça, mas como convivo todos os dias com ele, não me foquei nisso.

Até, porque, com uma semana de dieta eu fiquei decepcionadíssima, pois COMO ASSIM MEU FILHO NÃO FOI CURADO NA PRIMEIRA SEMANA? Li tantos relatos milagrosos que não podia aceitar que, com uma longa semana, ele não estivesse sendo notícia no Jornal Nacional (sério, eu achava que seria tipo isso), então, nem estava mais esperando nada além de saúde mesmo.

E comecei a anotar, verificar com mais atenção os efeitos da mudança na alimentação. Notei que ele já não dava mais show na van escolar, cada vez menos batia a cabeça no chão, menos crises, mais tolerância para aguardar (antes ele não esperava por nada mais de 1 minuto sem fazer uma quizomba).

Mas, nem tudo são flores, né gente? E eu não estou aqui pra iludir ninguém. Ele não mudou da água pro vinho, não se transformou num anjo de candura, não encerrou de imediato sua carreira de shows meteóricos, não deixou de comer as poucas tranqueiras que comia. Só que até hoje ele come esporadicamente, em muito menor quantidade, e tento sempre priorizar as tranqueiras que ele reage menos em vez das que ele reage mais. Prefiro dar um pacotinho de jujubas (cataploft! Várias fadas morreram nesse momento!) a dar dois pães pra ele, por exemplo. Sei que o pão vai deixá-lo mais agitado, chorandinho, agoniado, então vamos de jujuba!

Guilherme está há dois anos nesse ritmo, e de um ano pra cá, deu outro salto muito bom de desenvolvimento, mas sei que não é só alimentação. Mudamos novamente de cidade e ele está numa escola com melhor suporte de terapias, e ele NÃO COME LÁ, pois não gosta do tempero (uhu! Fico me achando a Palmirinha!), além de que, há um ano, ele desmamou completamente da medicação psicotrópica. Esse último aspecto não sei se tem a ver, mas é importante citar.

Da alimentação naturalizada, ou seja, sem conservantes, corantes, glutamatos, agrotóxicos, e afins, o maior ganho que tivemos não foi exatamente relacionado ao autismo (apesar dos ganhos terem sido notáveis e importantíssimos pra criança que ele é hoje em termos comportamentais), mas à saúde. Guilherme não gripa há exatos dois anos. Não gripa morando em São Paulo, aquela terra que amanhece com 9 graus, entardece com 30 e anoitece com 12. Crises de bronquite? Não conheço mais. De rinite? Nem sei o que são. Fraldinha eternamente na bolsa e mochila da escola porque o nariz vivia podrinho? Todos aposentados. Essa foi nossa maior conquista: temos uma criança saudável em casa. Uma criança que tem o imunológico fortalecido pelo que a natureza oferece, por produtos naturais e uma escolha que financeiramente não nos faliu, pois não buscamos grifes orgânicas.

Buscamos gente na feira que planta no quintal, que passa no carrinho de mão vendendo seus produtos. Não substituímos leite de vaca por leite de marreca virgem da índia que caminha pelos montes verdejantes do Taj Mahal, nem tiramos o pão pra dar pão sem glúten, sovado pelas mãos do príncipe William em suas férias nas montanhas do Alasca com luvas de látex banhado a ouro. Nosso caminho foi dentro do que nos era possível AND barato, pois né? Não consegui plantar dinheiro. ???? #xatiada

Acerca do autismo, ele não rói mais móveis, perdeu a maioria das estereotipias, aceita os nãos, está bem mais tolerante para esperar ou ficar em algum lugar por um tempinho maior, pois, às vezes, mesmo com distrativos e subornos, ele não ficava mais de 10 minutos em LUGAR ALGUM que não fosse de seu interesse. No último ano, a linguagem melhorou, ele passou a repetir o que falamos mesmo sem ainda funcionalizar, consegue aceitar melhor quando precisamos ir embora de algum lugar que ele gosta muito, tem estado mais concentrado para nos ouvir e entender o que queremos, na escola, faz todas as atividades sentadinho. Hoje, ele apresenta algumas dessas situações quando está ocioso, ou muito ansioso, mas até isso, em grande parte das vezes, já conseguimos controlar conversando.

Sobre suplementação: temos uma pediatra maravilhosa que nos acompanha, nos informa, nos quer bem e sempre está disposta a nos ajudar. Ela recomendou vitamina D e complexo B pro nosso caso, de acordo com nosso quadro e exames. FIM. Se ele tem mais alguma necessidade que só o exame “shoudermoulinfrencisbrout” detecta, sinto muito, eu não have money pra fazer esse exame. Não me culparei por isso. Mas olha, tô topando patrocínio dazamiga rycah. 

Enfim, pessoas. A minha história está sendo contada aqui com um objetivo: mostrar que pode ser simples, pode ser barato, pode ser possível. Você não precisa se culpar por não ter bastante dinheiro pra investir na alimentação que promete a cura do seu filho. Você sequer precisa curar seu filho, acredite! Você precisa que alguém lhe diga que você pode, sim, dentro de suas condições, e que você vai ter a consciência de que fez o seu melhor, tanto quanto quem pode pagar mais caro.

Vamos combinar: uma boa alimentação, rica em nutrientes, faz bem para QUALQUER UM. Autista ou não. E ao contrário do que muitos pensam, uma alimentação assim não demanda muito dinheiro (se demandasse, eu nem tava aqui falando, merman!), ela tem como base os alimentos mais naturais possíveis, e não legendas light/diet/hakunamatata.

E aí, cê topa? Um xêêêro em todos, e até a próxima (a oferecida se convidando)!

Jôse

P.S (da Andréa): há outros dois blogs super legais sobre alimentação infantil saudável e natural com receitas que eu indico: Maternidade Colorida As Delícias do Dudu

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