Autismo e segurança: o que você precisa saber

Já comentei com vocês que tenho um peixinho em casa, certo? 🙂 Theo já mergulhava sozinho há um tempo, mas ainda precisa aprender a se manter boiando e a nadar por questão de segurança. Acabamos de colocá-lo na natação e ele tem se divertido absurdamente nas aulas. Parece que nasceu pra isso!

Eu já tinha comentado sobre esse assunto paralelamente com algumas pessoas, mas resolvi fazer um post, porque o tema é chato, mas é bem importante. Todos nós sabemos que crianças autistas, via de regra, têm uma atração irresistível por água. Theo se joga em qualquer poça na rua, adora tomar chuva e sai correndo desembestadamente sempre que vê uma piscina.

Não é por acaso que a maior causa de mortes de autistas nos Estados Unidos é AFOGAMENTO. Você sabia disso? Pensando nisso, aqui vão alguns dados para ficarmos atentos.

O objetivo não é deixar ninguém paranóico, mas precaução nunca é demais, certo?! P.S: os dados se referem aos Estados Unidos, mas acredito, sinceramente, que aqui não seja tão diferente.

Mortalidade geral

  1. Em 2008, pesquisadores dinamarqueses descobriram que o risco de morte na população autista é o duas vezes maior que a da população em geral;

  2. Em 2001, um time de pesquisa da Califórnia descobriu um número grande de mortes entre autistas e atribuiu isso a várias causas, incluindo convulsões e acidentes como sufocamento e afogamento.

Vagar/Fugir sem rumo

  1. Quase metade (48% das crianças com autismo) tentam fugir de um ambiente seguro, uma taxa quase 4 vezes maior do que entre seus irmãos não afetados pelo autismo;

  2. Em 2009, 2010, e 2011, o afogamento acidental foi responsável por 91% das mortes informadas de crianças com autismo até 14 anos, após fugirem/vagarem;

  3. Mais de um terço das crianças autistas que fogem/vagam , nunca ou raramente, são capazes de comunicar seu nome, endereço ou número de telefone;

  4. Dois a cada três pais de crianças que fugiram informaram que suas crianças estiveram muito perto de serem atropeladas;

  5. 32% dos pais reportaram que as crianças estiveram muito perto de se afogar;

  6. 62% das famílias de crianças com tendência a fugir deixaram de participar de atividades fora de casa por medo desse comportamento;

  7. Crianças com autismo têm 8 vezes mais tendência a fugir/vagar entre 7 e 10 anos do que seus irmãos típicos;

  8. Metade das famílias de crianças que vagam afirmam que nunca receberam conselho ou aviso sobre isso de um profissional da área médica;

Fonte: Interactive Autism Network Research Report: Elopement and Wandering (2011)  Fonte: National Autism Association, Lethal Outcomes in ASD Wandering (2012)

Restrição de movimentos/ isolamento

  1. Estima-se que, nos últimos 5 anos, mais de 200 estudantes, muitos com deficiências, tenham morrido devido ao isolamento e a aparelhos usados para restringir os movimentos nas escolas.

  2. Os riscos incluem: morte por asfixia, feridas pelo corpo, síndrome do stress pós traumático, complicações cardíacas, pulmonárias e gastrointestinais, falta de apetite e desnutrição, desidratação, infecções urinárias, agitação, depressão, problemas para dormir, ansiedade, aumento das fobias, aumento da agressividade (incluindo a auto agressão).

Fonte: United States Government Accountability Office, Selected Cases of Death and Abuse at Public and Private Schools and Treatment Center (2009)

Bullying

  1. 65% dos pais reportaram que seus filhos com Síndrome de Asperger foram vitimados pelos colegas de alguma forma no último ano;

  2. 47% reportaram que seus filhos apanharam de colegas ou irmãos;

  3. 50% reportaram que eles estão com medo dos colegas;

  4. 12% indicaram que seus filhos nunca foram convidados para uma festa de aniversário;

  5. 6% dão deixados por último na escolha dos times;

  6. 3% comem sozinhos no lanche todos os dias;

Fonte: Issues in Comprehensive Pediatric Nursing (2009)

Abuso sexual

  1. De acordo com o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), aproximadamente 1 em 6 garotos e 1 em 4 garotas sofrem abuso sexual antes dos 18 anos;

  2. Um estudo feito em Nebraska envolvendo 55 mil crianças mostrou que uma criança com qualquer tipo de deficiência intelectual tinha 4 vezes mais chances de ser abusada sexualmente que uma criança típica (Sullivan & Knutson, 2000). Mesmo que não haja, ainda, números específicos para o autismo, a pesquisa mostra que essas pessoas são extremamente vulneráveis.

E eu, como mãe ou pai, o que devo fazer?

  1. Já pensou em colocar seu filho na natação? Se não tem meios financeiros pra isso, tente ensiná-lo a boiar você mesmo. Já ajuda bastante.

  2. Existem pulseiras que você pode colocar no seu filho informando nome, telefone e contato dos pais. Pode ser muito útil se seu filho tende a fugir.

  3. O connector RX ensina coordenação de corpos e, apesar de não ter o objetivo de contenção, ajuda muito nisso também. Leia mais sobre ele nesse post: http://lagartavirapupa.com.br/um-dia-intenso-imersao-com-eric-hamblen/

  4. Se seu filho já entende bem as coisas, ensine a ele que só você (ou a babá/ou o pai) podem tirar a cuequinha ou calcinha dele ou dela.

  5. Lembre-se que comportamento é comunicação. Seu filho chora para ir para a escola? Tem demonstrado falta de apetite? Depressão? Está mais agressivo que o normal? Então, que tal fazer uma visita surpresa à escola ou terapia?

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