Caos, borboletas e mudanças

“Todas as grandes mudanças são precedidas pelo caos”


Uma vez, há muitos anos, me disseram que nenhuma mudança na vida vem sozinha. Independente de acreditar nisso ou não, é assim que tem sido pra mim. Pouco tempo depois que conheci meu marido, me mudei de volta pra São Paulo, pra outro emprego, e fui morar com ele. Três grandes mudanças de uma só vez.

Pois bem, meus amigos. Lá vamos nós de novo. “Caos” é uma palavra pesada, mas define mais ou menos o que tem se passado por aqui. Para resumir, vendemos nosso apartamento, estamos de mudança para o outro – que é bem mais perto da escola do Theo – e mudamos absolutamente tudo nas terapias dele. Já imagino pessoas aí pensando “mas autistas não reagem bem a mudanças”. É, eu sei. Mas, como não existe um autista igual ao outro, não acho que isso está afetando muito o Theo, pelo menos por enquanto. O que eu acho que vai acontecer é que, naturalmente, ele vai sentir falta da fono e da terapeuta que cuidaram dele desde que recebeu o diagnóstico…e que, agora, ele não verá mais todas as semanas.

Na verdade, quem está reagindo pior às mudanças somos nós, os pais. Primeiro, porque gostamos destas pessoas que estavam cuidando do Theo até hoje. Obviamente, a gente se apega, assim como ele. Segundo, porque bate aquela insegurança de se estar fazendo a coisa certa ou não. São duas pessoas muito queridas, que nos acolheram quando não sabíamos de nada sobre o autismo. E que ajudaram a dar uma organizada no caos que estava o meu menininho.

O que acontece é que notamos, nos últimos meses, que a curva de desenvolvimento do Theo estava mais lenta. Achei que era impressão minha, conversei com outras pessoas que convivem com ele e todas tinham a mesma impressão. Daí, dia desses, totalmente sem querer, dei de cara com essa frase:

“Se uma criança não consegue aprender da forma como ensinamos, talvez nós devêssemos ensinar da forma como ela aprende”


Bingo. A verdade é que existem vários programas e terapias para autismo. E não existe nenhuma criança (típica ou autista) igual à outra. Crianças típicas aprendem de formas diferentes umas das outras. Por que isso seria diferente com crianças autistas?

Se o Theo passou a aprender mais devagar, de repente, a gente precisava mudar a forma de ensinar. É nisso que acreditamos. Outra coisa importante que você precisa saber, se está passando pela mesma situação, é que uma abordagem pode funcionar muito bem no princípio, mas parar de funcionar com o tempo. E você vai mudando e adaptando. E, talvez, lá na frente, volte pra primeira. Pelo que conversei com algumas mães que estão nessa estrada há mais tempo, é exatamente assim que acontece. E, sabendo disso, tem algo importante que precisamos ter em mente:

“Se você não mudar nada, nada irá mudar”


Parece óbvio. Mas não é tanto assim. A gente, muitas vezes, está incomodado com uma situação e fica esperando que as coisas mudem magicamente. Que o vento sopre a favor. Não é assim que acontece. Principalmente nesse caso, a iniciativa tem que ser sua. E, pra terminar, no meio de todo esse caos/mudanças/insegurança, dei de cara com isso aí:

“Se nada mudasse, não haveria borboletas”


Comecei esse blog falando de uma certa lagartinha que virou pupa. Pois é. E, pra ela sair da pupa como uma linda borboleta, mudanças precisam acontecer. Ai, que difícil!! Mas quem disse que ia ser fácil? 🙂 Pelo menos, não podemos reclamar de rotina! E você? Tem alguma mudança precisando acontecer por aí pra que as borboletas rompam os casulos?

Imagens: Pinterest

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