Escalas diagnósticas usadas no autismo

Hoje, recebi uma daquelas mensagens no whatsapp que matam a gente de alegria! Compartilhei nas minhas redes sociais e perdi a conta de quantas felicitações recebemos!

Apesar de todo mundo ficar feliz conosco, muita gente ficou confusa com essa “sopa de letrinhas” de PEP-R e CARS. Elas foram as escalas diagnósticas usadas para avaliar o Theo.

Aproveitei a oportunidade e pedi para a psicóloga Camila Gomes fazer um pequeno texto para o blog explicando tudo. Aí vai!

ESCALAS DIAGNÓSTICAS USADAS NO AUTISMO

A função das avaliações através de escalas diagnósticas no autismo é a de se obter uma visão geral a respeito do desenvolvimento da criança. Como o autismo é um transtorno que afeta várias áreas do desenvolvimento infantil, é importante ter uma medida que indique quais áreas estão atrasadas, qual é o tamanho do atraso em cada área e quais áreas estão de acordo com o que é esperado para a idade cronológica da criança.

Essa “fotografia” do desenvolvimento da criança vai auxiliar no planejamento da intervenção comportamental intensiva, sugerindo quais áreas devem ser estimuladas e em que proporção, já que o objetivo da intervenção deve ser o de aproximar ao máximo o desenvolvimento da criança com autismo ao desenvolvimento de crianças típicas.

O PEP-R

Psychoeducational Profile-Revised – PEP-R (Schopler, Reichler, Bashford, Lansing, & Marcus, 1990) é um dos instrumentos que podem ser utilizados para medir o desenvolvimento de crianças com autismo. Esse instrumento avalia tanto o atraso no desenvolvimento como comportamentos típicos relacionados ao autismo, e oferece informações sobre sete áreas na Escala de Desenvolvimento:

  1. imitação

  2. percepção

  3. coordenação motora fina

  4. coordenação motora grossa

  5. integração olho mão

  6. desenvolvimento cognitivo e cognitivo verbal

  7. além de uma medida global do desenvolvimento em “Pontuação do Desenvolvimento”.

Deve ser usado dos 6 meses até os 12 anos.

A CARS

A CARS permite identificar crianças com características comportamentais de autismo e distinguir entre autismo e atraso no desenvolvimento sem autismo. De acordo com a escala, os resultados da avaliação podem ser distribuídos em três categorias:

  1. desenvolvimento normal (15-29,5)

  2. autismo leve/moderado (30-36,5)

  3. e autismo grave (acima de 37).

Pode ser utilizada com crianças acima de 36 meses de idade. Essa escala foi adaptada e validada para a população brasileira por Pereira, Riesgo e Wagner (2008).

OUTRAS

Outra avaliação que pode ser utilizada é o Portage. O Inventário Portage Operacionalizado (IPO) avalia o padrão de desenvolvimento infantil em cinco áreas:

  1. linguagem

  2. socialização

  3. desenvolvimento motor

  4. cognição

  5. autocuidados

Ela deve ser aplicada em crianças de 0 a 6 anos. Não é um instrumento destinado a avaliar especificamente o desenvolvimento de crianças com autismo, mas avalia o desenvolvimento de qualquer criança, independente do diagnóstico.

O inventário foi adaptado e operacionalizado para a população brasileira (WILLIAMS; AIELLO, 2001).

Quanto ao ATEC, ele não é adaptado ou validado para a população brasileira.


Todos esses instrumentos podem ser aplicados por qualquer profissional capacitado e treinado para a aplicação. É importante que o profissional conheça bem esses instrumentos, tenha um bom manejo com a criança e saiba muito de desenvolvimento infantil.

Na minha avaliação, psicólogos e terapeutas ocupacionais são os profissionais mais adequados para a aplicação.

Neste artigo elaborado pela nossa equipe, mostramos o uso deste tipo de avaliação para medir os efeitos da terapia.

Camila Gomes é graduada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2004). Fez Mestrado (2007) e Doutorado (2011) em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos. É docente do curso de graduação em psicologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Atua nas áreas de Análise do Comportamento Aplicada e Educação, com ênfase em Educação Especial, principalmente nos seguintes temas: autismo, escolarização inclusiva de alunos com autismo, intervenção intensiva na infância, aprendizagem, ensino de habilidades acadêmicas para pessoas com autismo e capacitação de cuidadores de pessoas com autismo. Trabalha com pessoas com autismo e com deficiência intelectual desde 2000 no CEI, em Belo Horizonte. 

Foto do topo: Shutterstock

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