Natação para crianças autistas: 11 sugestões para professores

A água traz um mundo de sensações para as crianças autistas ou com outras deficiências que possuem TPS (Transtorno de Processamento Sensorial). Afinal, ela envolve quase todo o maior órgão do corpo, que é a pele. Não é à toa que muitas crianças autistas se acalmam rapidamente ao entrar na água. É comum as mães relatarem que os filhos se enfiam no chuveiro 10 vezes ao dia se não forem vigiados.

Pelos mesmos motivos, não é de se espantar que o afogamento seja a principal causa de morte de crianças autistas, segundo um levantamento feito nos Estados Unidos. A água exerce uma atração irresistível sobre essas crianças. Aqui em casa temos um exemplo vivo: Theo entra em chafariz, poça de água suja, o que estiver dando sopa naquele segundo de distração dos pais. Se aprender a nadar é essencial para as crianças, para as nossas, é ainda mais urgente.


Tenho observado o Theo na natação desde os 4 anos. Tivemos a sorte de encontrar professores maravilhosos, e foi observando as aulas que fui juntando essas “dicas de mãe”!

1. Dispense a exigência de touca se a criança se recusar a usar. É muito comum que crianças com sensibilidades sensoriais se incomodem muito com “objetos estranhos” na cabeça. Fora que a toca faz uma pressão, e isso pode ser uma tortura para alguns deles (meu filho inclusive). Abra uma exceção nesses casos.

2. Fale frases curtas e com palavras simples. Divida as tarefas em etapas (não coloque várias instruções em uma só frase).

3. O TPS também afeta a percepção do próprio corpo. Então, se você quer que a criança bata as pernas e ela não está atendendo ao comando, toque nesta parte do corpo dela ao dar a instrução.

4. Paciência. Muuuuita paciência. Muitas vezes, o autismo e outras deficiências vêm com dificuldades de aprendizado. Pode ser que você tenha que repetir a mesma instrução várias e várias vezes até que a criança comece a segui-la.

5. Observe e entenda o que motiva a criança. Use todos os acessórios disponíveis: bichinhos de plástico, letras que colam na piscina, macarrão de isopor. E comece a usar o interesse como um reforçador para que ela realize as instruções. Por exemplo: se ela gosta dos bichinhos, pode ser mais fácil fazê-la atravessar a piscina se a tarefa for buscar um deles. Se ela gosta do macarrão, veja que tipo de atividades ela pode desenvolver quando está com ele.

6. Gritos e crises: analise o que desencadeou o comportamento. Se, aparentemente, não houve nada, pode ser uma sobrecarga sensorial. Leve a criança para um cantinho mais tranquilo da piscina para que ela possa se reorganizar. Diga que está tudo bem. Se o grito ou crise veio após uma instrução, é bem possível que seja pelo sentimento de incompetência (muito comum no meu filho, por exemplo…temos que trabalhar muito sua autoestima e a coragem para tentar coisas novas). Nesse caso, ou a criança não entendeu a instrução, ou ela não se sente capaz de realizar a tarefa. Permaneça calmo e encoraje-a com calma e paciência. Valorize a tentativa, e não o acerto.

7. Muitas crianças podem ter resistência a molhar o rosto ou a cabeça (lá vem o sensorial de novo). Um passo de cada vez. Cada dia um pouquinho. Paciência mais uma vez é a palavra.

8. Exerça a liderança com amor. Mostre que quem “manda” na piscina é você. Muitas crianças podem não falar, mas entendem TUDO. E são espertas o suficiente para te testar (por exemplo, gritar para ver como você reage ou tentar se livrar de alguma atividade).

9. Seja flexível. Se ela quer pular e nadar livremente assim que entrou, avise por quanto tempo ela pode fazer aquilo para, depois, começar a aula de verdade.

10. Comportamentos agressivos não são regra, mas podem surgir em momentos de frustração. Se a criança agir de forma inadequada com você ou com um colega, corrija com amor: explique que entende que ela está chateada, mas que aquele comportamento não é aceitável. E avise que, se o fato se repetir, ela será retirada da aula. Importante: se ameaçou, cumpra!

11. A hora de sair da piscina pode ser um drama. Vá avisando quando o fim se aproximar: quando faltarem cinco minutos para acabar, avise de minuto em minuto. “Theo, faltam 5 minutos para a aula acabar”. E assim em diante.

Para terminar o post, gostaria de deixar um agradecimento enorme para toda a equipe da R3 Treinamento Personalizado de Belo Horizonte, em especial a Nívea e a Carol, que foram professoras do Theo nos últimos meses. O amor com que vocês trabalham é visível! Nos sentimos acolhidos, e Theo, com certeza, foi muito feliz e aprendeu muito nesse período! <3

Imagem: Shutterstock

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