O “não” e a autoestima da criança autista

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Relembrar é viver. Outro dia, estava falando com meu marido sobre o primeiro médico que diagnosticou o Theo: um psiquiatra-infantil-estrela, com jeitão de doido, ego inflado e verborrágico. No meio de tanta informação, mandou essa: “não fiquem falando ‘não’ pra esse menino. Tem várias formas de se dizer não. Ao invés de falar ‘não suba aí’, vocês podem dizer ‘vem aqui na mamãe'”. Fiquei irritadíssima por dois motivos:

1) Pra mim, dizer “não” era colocar limites…ou, pelo menos, foi assim que eu aprendi;

2) O cara me joga a notícia de que tenho um filho autista e, depois, vem discutir o que pra mim era, puramente, uma questão semântica??

Ok. Passou. Até que, algum tempo depois, ouvi a palestra de um especialista americano sobre autismo que estava no Brasil. Dentre as coisas que me marcaram, ele falou do papel dos pais na formação da autoestima da criança autista. E o que ele disse faz total sentido: nossas crianças não se comportam de forma adequada (ou esperada) muitas, MUITAS vezes ao dia. Por consequência, ouvem milhares de “nãos” a mais que as crianças típicas.

E aqui vão alguns exemplos (pessoais…):

  1. “Não pegue isso”

  2. “Não jogue isso”

  3. “Não suba aí”

  4. “Não corra pra longe assim”

  5. “Não tire os sapatos”

  6. “Não grite”

  7. “Não ponha isso na boca”

  8. “Não sente no chão”

  9. “Não bata no peito assim”

  10. “Não mexa nisso”

  11. “NÃO NÃO NÃO….”

Pois é…e qual impressão isso passa pra essas crianças? Principalmente, a impressão de que são incompetentes. De que não fazem nada certo. De que não conseguem nunca agradar aos pais. De que não são como os pais gostariam que elas fossem. Impacto direto e fulminante na autoestima.

Sinto dizer que o médico maluco tinha razão nesse ponto.

Uma forma útil de atenuarmos isso tudo é trocarmos o “não” por uma ordem contrária. Ao invés de “não suba”, que tal “desça”? Ao invés de “não pegue isso”, que tal “legal que você pegou isso, traz pra mamãe”?

Limites são necessários, sim. Corrigir comportamentos inadequados, também. Mas será que não podemos fazer isso de uma forma que impacte menos os nossos seres tão frágeis e sensíveis?

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