Os mistérios do autismo

Quem lê esse blog há algum tempo sabe que uma das minhas frases favoritas é “Theo é um mistério”. Um mistério que eu amo tentar desvendar no dia a dia.

Theo não fala ainda, mas aqueles olhos dizem tanto! Mostram-se atentos a tudo o que acontece ao redor. Percebem até o que a gente não gostaria. Insistem, buscam, são curiosos.

(arquivo pessoal)

(arquivo pessoal)


Na reunião que tive com a escola, há 2 semanas, a psicóloga que avaliou o Theo disse que ele tem algo que o distingue bastante dos demais alunos com autismo da classe: a curiosidade e a iniciativa. Ele tem interesse por qualquer coisa ou pessoa nova que surja no ambiente. É investigativo (lembro que meu pai dizia isso dele desde bebê). Theo tem uma motivação natural que pode ser muito bem usada se descobrirmos como.

Também não é novidade pra vocês que, muitas vezes, eu sinto como se estivesse, simplesmente, com uma criança que não fala. E que essa parte, em especial, tem sido uma grande montanha russa na nossa vida.

Pois bem. Na última semana, Theo teve um salto no desenvolvimento. Já vínhamos percebendo, há umas 2 semanas, que ele estava balbuciando sons aleatórios. Pois, de uma semana pra cá, ele adicionou, de vez, o “papá” ao seu curto vocabulário. De forma funcional!!!

Também começou a me chamar para tudo o que incomoda. E, geralmente, o que incomoda é a Lola. 🙂 Fez isso com tanta frequência que eu consegui filmar! Um “mãããã” com contato visual que praticamente significou “mãe, olha ela!!!”. Mal sabe ele que, com esse “mã”, ele consegue tudo o que quiser de mim…

Para completar, sua imitação de sons melhorou muito. E ele andou respondendo a perguntas! Pela primeira vez em 4 anos, vemos o Theo usar palavras de forma funcional. Pela primeira vez na vida, vemos ele responder a perguntas! Aqui vai um resuminho dos progressos da semana.


E não foi só a parte da fala. Theo está interagindo de forma mais positiva. Tem buscado o contato conosco, inclusive o visual, com mais frequência. Tem estado mais presente nas situações. Tem demonstrado compreensão total do que acontece ao seu redor.

Anteontem, um momento de ternura total. Estávamos sentados, os dois, no sofá, quando ele pegou minha mão, entrelaçou seus dedinhos nos meus, depois levou-a até a boca e deu um beijo. Derreti…

Ontem à noite, ele estava enrolando para ir dormir. Sempre me lembro da Marie Dorion nessas horas. Ela diz para a gente dar a “ilusão do controle” para a criança. Então, mandei minha tradicional pergunta: “Theo, você quer ir dormir com o papai ou com a mamãe?”. Normalmente, ele pegaria na mão de um dos dois e levaria para o quarto. Mas não ontem. O que ele fez foi responder prontamente “PAPAPA”.

E por que tantos progressos de uma vez? O que fizemos de diferente? O que aconteceu? Podemos analisar o ambiente externo, porque, o que acontece no cérebro dele é uma verdadeira incógnita.

E foi pensando, quebrando a cabeça, que eu cheguei à conclusão de que NADA significativo aconteceu. Pelo menos não nessa última semana, quando os maiores progressos vieram.

Voltando um pouco mais, há um ano, vejo que Theo rompeu absurdamente com a rotina. Mudou-se duas vezes de país, de casa, de escola e de idioma. O quanto ele ter saído da zona de conforto deu uma puxada no desenvolvimento?

Em fevereiro deste ano, também veio a Lola. Não tenho dúvidas de que ela o força a se comunicar. Dia desses, vi uma cena hilária. Ela roubou um dos brinquedos dele e ele tentava, sem sucesso, tirá-lo da boca dela. Enquanto tentava, mandava todos os vocábulos que sabe falar. “Pá”, “mã”, “ssss”, qualquer coisa pra ver se funcionava e ela largava!

E, para encerrar minhas hipóteses, Theo faz terapias intensivas desde os 2 anos de idade, quando foi diagnosticado. Por coincidência, atualmente, Theo não faz nada além do ABA na escola. Nunca esteve tão “folgado”. E também nunca o vi tão feliz. Ele é um sorrisão só, todo o tempo. Dá gosto de ver.

Quando fizemos a imersão com o terapeuta Eric Hamblen, uma das coisas que ele me falou sobre a regressão da fala do Theo é que nossos meninos, muitas vezes, ficam sobrecarregados. São tantas intervenções, tantas exigências ao cérebro que, muitas vezes, ele “encosta” a fala por um momento para conseguir lidar com todas as demandas. Eu nunca me esqueci daquilo. E, vendo o que está acontecendo agora, não duvido que o Eric tenha razão.

De qualquer forma, está óbvio pra mim que, quando investimos nas intervenções, o retorno vem. O que difere é a velocidade com que ele vem para uns e para outros. E, muitas vezes, também a intensidade.

Esse é o grande mistério do autismo: a neurologia de cada um. Sim, o autismo é um mistério. Cada resposta vem com mais um milhão de perguntas.

Mas uma coisa é certa: os progressos vão vir. Os saltos no desenvolvimento vão aparecer! Basta fazer nossa parte, ter paciência, e acreditar sempre no potencial das nossas crianças!  

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