Transtorno do Espectro Autista: O que a sociedade pode fazer a respeito?

No dia 02 de Abril, comemorou-se o Dia Internacional de Atenção ao Autismo. No mundo inteiro, as pessoas se vestiram de azul e os monumentos e logomarcas mudaram de cor.

As pesquisas mostram que, na década de 70, a prevalência era de 4,5 a cada 10.000. Em 2006, 1 a cada 1.000. Atualmente, os estudos já indicam que 01 em cada 68 crianças é diagnosticada com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou seja, há mais de 02 milhões de brasileiros com TEA.

A mídia trouxe o assunto à tona muitas vezes nas últimas semanas. Mas o que você precisa saber sobre o Transtorno e o que pode fazer para contribuir para um melhor desenvolvimento das pessoas com TEA?

Se você é profissional da Saúde

A crescente prevalência de diagnósticos de TEA torna necessário (para não dizer mandatório) que todos profissionais de saúde se informem sobre o Transtorno: Desde o otorrino plantonista que avalia um pequenino com febre em um PS infantil, a consultora de amamentação que estranha a falta do contato visual do bebê para sua mãe durante a mamada, o dentista que nota a alteração na percepção da sensibilidade oral… São situações corriqueiras e reais da prática clínica.

Então, saber o que é o Autismo, quais os métodos de intervenção com comprovadas evidências científicas e dar orientações corretas para as famílias encurtará o caminho para o diagnóstico e para a intervenção.

Alerta: Para os profissionais das áreas da reabilitação (psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas) é nossa obrigação ética estudar muito (constante e profundamente) antes de “colocar a mão na massa”… São vidas em jogo!

Se você trabalha com Educação infantil

Estudar sobre desenvolvimento infantil típico e estar alerta para os primeiros sinais de TEA em bebês e crianças pequenas é muito importante! As crianças passam grande parte do tempo nas escolas e, em contrapartida, muitos “pais de primeira viagem” não têm noção sobre o que esperar de cada fase da vida infantil e não conseguem perceber as alterações nos seus filhos.

Então, professor/coordenador/diretor, não hesite em conversar com os pais daquele aluno que destoa do grupo. A equipe escolar não pode diagnosticar, mas pode sugerir uma avaliação com fonoaudiólogo, por ex., e essa ação pode acelerar todo o processo de intervenção!

Se você já tem um aluno com TEA, se aproxime da equipe clínica, peça mais informações, marque reuniões regulares e solicite ajuda para as adaptações do material didático, do conteúdo programático e das rotinas de aula. Todas essas ações permitirão que o processo de inclusão seja mais efetivo e trará muitos mais resultados para a criança.

Se você é parente/amigo de pais de uma criança com TEA

Pesquisas equiparam o nível de estresse de pais de crianças com TEA ao de um soldado em batalha, então faça tudo que é possível para amenizar a luta diária.

Quer sugestões? Não questione a veracidade do diagnóstico (sim, infelizmente, é verdade), apoie as decisões dos pais, se informe sobre os tratamentos em curso, cuide e dê carinho aos pais e irmãos da criança com TEA, pergunte tudo o que quiser… O transtorno não deve ser o “elefante branco no canto da sala”…

A luta deles é muito árdua e viver sem preconceito facilitará tudo.

Se você tem crianças na família ou no círculo de amizades

Não use a famosa frase “cada criança tem seu tempo”; Ao contrário, se notar algo de diferente ou se o pai em questão te confidenciou algum tipo de estranhamento sobre o filho, converse os responsáveis e incentive-os a buscar ajuda profissional.

De novo, o quanto antes iniciar o processo de diagnóstico e terapias, melhores serão os resultados para a criança!

Se você não tem crianças, mas vive em sociedade e frequenta locais públicos

Não julgue uma criança que está chorando, gritando, se debatendo no chão ou burlando regras sociais. Não olhe torto para uma mãe que está tentando lidar de uma forma “diferente” com a cena descrita. Isso tudo pode ser culpa do (invisível) Autismo.

Se estiver próximo, um sorriso de compreensão ou um oferecimento de ajuda são valiosos!

No mais, a causa já é de todos nós, pais, profissionais, tios, vizinhos, gestores públicos, enfim, de toda a sociedade brasileira, então vamos ajudar a conscientizar, lutar pelos direitos, mas, principalmente, incluir e respeitar as pessoas com Autismo!

(Lilian Kuhn também já escreveu neste blog sobre apraxia de fala na infância. Leia AQUI)

Lilian2

Lílian Kuhn – Fonoaudióloga CRFa 2-14684

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Imagem inicial: Shutterstock

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