Autismo regressivo: atenção aos sintomas

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Normalmente, quando lemos alguma matéria sobre autismo, todos os sinais de alerta citados se referem ao bebê:

  1. O bebê é calmo demais ou agitado demais

  2. Prefere o berço ao colo

  3. Não faz contato visual na hora da amamentação

  4. Não levanta os bracinhos para ser pego no colo

  5. Apresenta atrasos motores (não senta na época certa, demora a andar)

  6. Não começa a balbuciar aos 6 meses.

É verdade que muitas crianças autistas apresentam esses sintomas desde cedo, mas pouco é falado sobre as crianças que se desenvolvem em um ritmo normal e, de repente, começam a perder as habilidades adquiridas. É o chamado “autismo regressivo”.

As causas concretas do autismo ainda são foco de profundos estudos. Vários genes e mutações já foram identificados como relacionados ao transtorno e acredita-se, também, em causas ambientais, principalmente as ligadas ao ambiente intrauterino.

O autismo regressivo é ainda mais misterioso. O que leva uma criança, que aparentemente está se desenvolvendo no ritmo normal, a se “tornar autista” entre o primeiro e o segundo ano de idade?

Alguns médicos acreditam que, nessa época, o cérebro passa por um “processo de autolimpeza” chamado de “poda neuronal”. Nesse período, se a criança tem a propensão genética ao autismo, é aí que ele pode se manifestar.

Outra teoria, mais ligada ao sistema imunológico, diz que qualquer grande infecção (como uma virose, por exemplo) pode “despertar o autismo” em um bebê já propenso geneticamente.

Meu objetivo aqui não é discorrer sobre as causas do autismo regressivo. Mas como estar atenta e identificar os possíveis sinais em uma criança.

Tenho um exemplo vivo em casa…vivo, sorridente, beijoqueiro e muito lindo: o Theozão. Theo se desenvolveu normalmente até o primeiro aninho, quando começou a perder habilidades. Quando eu digo que se desenvolveu normalmente, não é delírio da minha cabeça de mãe. Vejam, só, os vídeos a seguir:

1) Theo começando a falar “papa” aos 5 meses. Vocês podem notar, também, o contato visual dele nesse vídeo!


2) Theo falando “mamã” aos 6 meses:


3) Theo “piscando” aos 9 meses. Além da própria imitação em si, esse vídeo traz algo que um bebê autista, geralmente, não faz: o “compartilhar”. Vocês podem notar isso quando ele ouve o barulho do avião passando e olha para a varanda. O pai, que está filmando, fala “o avião”. Ele imediatamente olha para o pai para compartilhar o que viu.


4) Mais um de imitação: Theo imitando tosse aos 9 meses.

5) Para terminar, Theo batendo palminhas, também aos 9 meses. Nesse vídeo, ele também “compartilha”. Notem a troca de olhares dele com o pai e comigo.

Ou seja: a criança dos vídeos acima não parecia autista, certo? Difícil saber a resposta. O que sabemos é que o comportamento dele começou a mudar muito perto do primeiro aninho.

  1. Theo ficou mais sério e introspectivo

  2. Passava horas deitado no chão olhando para as rodas do carrinho

  3. Não olhava quando era chamado pelo nome

  4. Não apontava para o que queria e não olhava para onde apontávamos (o famoso “compartilhar”)

  5. Parou de dar tchau e bater palminhas

  6. Não se interessava por outras pessoas e crianças

  7. Não seguia comandos verbais simples (como “pegue o brinquedo”)

Aqui tem um vídeo dele com 1 ano e 3 meses, no auge dos sintomas:

O que eu considero mais complicado do quadro de autismo regressivo é que uma criança que nunca faz nada (nunca falou, nunca deu tchau) é muito mais fácil de notar. Já uma criança que fazia tudo e, de repente, para, confunde a todos. Lembro-me das perguntas da pediatra quando fomos questioná-la sobre o laudo preocupante da escola, pouco antes dele fazer 2 anos: “Ele bate palmas?”. E a minha resposta foi “ele batia, mas faz tempo que eu não vejo ele fazer isso. Será que é por que a gente não pede mais?”. O texto ficou longo e sei que é muita coisa para pensar. Então, se você puder guardar só uma coisa, que seja essa:

Qualquer perda de habilidades em qualquer idade da criança deve ser investigada!

Após os quadros especiais sobre autismo do Fantástico, muitas pessoas têm me procurado para dizer o mesmo: “Nossa, que bom que o Theo não é grave como aquelas crianças que apareceram no Fantástico!”. A minha resposta tem sido só uma: “Ele poderia estar até pior…SE não tivesse tido o diagnóstico aos 2 anos e feito intervenção precoce intensiva desde essa época”. Eu continuo achando que pecar pelo excesso é melhor…  

Nota: algum tempo depois de escrever este post, cheguei à conclusão de que o autismo do Theo não foi “tão regressivo” assim. Alguns sinais indicam que ele já nasceu autista, embora o quadro tenha piorado bastante com o tempo. Não deixe de ler este post posterior: http://lagartavirapupa.com.br/quando-a-gente-se-engana/

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