Da imprevisibilidade da vida…e do autismo

Depois da tempestade, vem a bonança

Depois da tempestade, vem a bonança

A vida é assim: morde, e depois assopra. Ou será que assopra e depois morde?

Pare pra pensar nos planos que fazia para a sua vida aos 16 anos de idade. Agora, dê uma olhada para a sua situação atual e perceba como, provavelmente, você nunca imaginaria, naquela idade, que estaria como está ou onde está.

Entre escolhas e consequências, vamos ajustando nosso rumo. “Continue a nadar”, sempre. E a vida continua a nos surpreender com o inesperado, o imprevisível. Sim, isso nos angustia. Mas também é uma das coisas que deixam tudo mais interessante no final das contas.


Aquilo que achávamos que ia acontecer de bom, nossos sonhos mais queridos, muitas vezes, vão pro ralo. Em compensação, muitas das expectativas ruins que temos não se concretizam e, pelo contrário, se transformam em agradáveis surpresas. De novo, o inesperado, esse fanfarrão!

Pois bem. Levei aquela bela rasteira da vida com o diagnóstico de autismo. Passei pelo luto, tive que ajustar muitos sonhos, outros foram mesmo pro buraco. E outras rasteiras se sucederam. Assim é a vida: cair e levantar.

Em compensação, várias das minhas previsões catastróficas não se concretizaram: ousei imaginar que Theo nunca seria desfraldado, que nunca andaria de bicicleta/triciclo/algo parecido, e que, talvez, nunca seria alfabetizado. E ele veio fazer VRÁÁÁ na minha cara. As duas primeiras coisas ele fez com facilidade. A terceira ainda está em andamento, mas com ótimo prognóstico!

A imprevisibilidade do autismo

Da mesma forma, cheguei de volta ao Brasil, após 3 anos morando fora, com todo o transtorno que uma mudança internacional pode trazer e com péssimas expectativas na bagagem. Depois de umas portas na cara, achei que não encontraria uma escola legal, que não encontraria alguém pra continuar o processo de alfabetização, que não encontraria pessoas competentes pra dar continuidade a um monte de coisas. Também pensava que teríamos um “longo e tenebroso inverno” com a adaptação do Theo a essa mudança tão extrema de rotina e de vida.

VRÁÁÁ, dessa vez da vida. Do inesperado, esse fanfarrão.

Theo está na escola, acolhido, incluído e feliz. Tem uma ótima terapeuta ocupacional. Achamos, também, uma excelente escola de natação com uma professora sensível e paciente (tudo o que precisamos). Foi avaliado por uma psicóloga que trabalha – vejam só – especificamente com alfabetização de autistas!

Ela afirmou que ele está extremamente bem (principalmente para um autista não verbal). Só dele ter conseguido aprender algumas palavras com aquele método específico de alfabetização, já significa que ele tem capacidade cognitiva. Uma avaliação feita em Estocolmo, logo que chegamos, diagnosticou o Theo com atraso cognitivo. Naquela época, já fiquei desconfortável. Hoje eu sei que a barreira do idioma não permitiu que ele fizesse muito do que foi solicitado no teste, e isso acabou derrubando o resultado.

E a maior surpresa: segundo a psicóloga, ele apresenta a base para o desenvolvimento da linguagem. Tem compreensão muito boa do que é falado, tem contato visual, sabe imitar. Então, em um trabalho conjunto, a psicóloga vai trabalhar esses pontos (dentre outros que ele ainda precisa desenvolver) e a fono já está trabalhando a parte física para a fala. Afinal, muitos músculos da face e da boca estão meio “encostados” porque quase não foram usados para vocalizar. Eles precisam ser estimulados, o movimento dos lábios também, a língua, é um trabalho pesado e que eu nunca tinha visto pessoalmente!


A video posted by Blog Materno | Andrea Werner (@lagartavirapupa) on Oct 5, 2016 at 8:59am PDT


Ou seja: quando, aos 8 anos, já estávamos perdendo as esperanças quanto à fala, agora voltamos a acreditar de novo! Isso não significa “encostar” os PECs. Se é como ele se comunica, vamos manter e trabalhar em paralelo.

Conclusão disso tudo: o autismo é tão imprevisível quanto a vida. Entre erros e acertos, vamos traçando a trajetória de nossos filhos. Entre escolhas e consequências, ajustamos o rumo. E a única certeza que tenho no meio de tanta imprevisibilidade é esta: eles sempre vão nos surpreender!

P.S: antes de ser blogueira/escritora, sou mãe. Por motivos de segurança, não estou falando o nome da escola do Theo. Peço compreensão. <3

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Imagem: Shutterstock

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