Dos mistérios da genética

“A genética tem a ver com como a informação é armazenada e transmitida entre gerações.”

~ John M. Smith

 Uma das coisas mais lindas e misteriosas da vida, na minha opinião, é como o DNA de duas pessoas se mistura para fazer um filho. Minto…não é o DNA de duas pessoas. Porque o meu próprio DNA já tem características do meu pai e da minha mãe. O mesmo acontece com o Leandro. E assim vamos.

Somos um quebracabeças minuciosamente montado, formado por pedacinhos de várias pessoas que existiram antes de nós na nossa árvore genealógica. E é justamente isso que faz a coisa da genética ser mais encantadora.

Quando eu era adolescente, tinha uma amiga que era ruiva. Mas não era um cabelo ruivo qualquer…era um ruivo meio loiro totalmente único e incomparável. E, segundo consta, somente a bisavó dela tinha aquela mesma cor de cabelo. Nunca me esqueci dessa história.

Na casa do Leandro, também há um exemplo interessante. A Karina, irmã mais nova, não se parece nem um pouco com o pai ou com a mãe. Mas é a cara da avó por parte de mãe. As mesmas maçãs do rosto, o mesmo jeitinho de corpo, tudo muito parecido.

O Theozão, quando nasceu, era a cara do meu pai. Tudo bem que o rosto dele era redondinho e ele era careca, mas realmente fazia lembrar.

🙂

Com o tempo, ele foi crescendo e fomos vendo que ele realmente se parecia comigo. A razão principal são os olhos. Theo herdou os olhos da minha família.


Essa era eu há “alguns” anos atrás…



Herdei os olhos grandes da família do meu pai…



…e passei pra esse mocinho aí!!


E o que o Theo herdou do Leandro? Praticamente todo o resto. 🙂

O formato do rosto e todo o restante do corpinho. Eu tenho a prova. Não precisa nem de DNA! Vejam isso:


Tal pai, tal filho


E o leitor deve estar se perguntando onde eu quero chegar com essa história. Uma conversa frequente nas rodinhas de pais de crianças autistas que eu participo é de onde o filho puxou essa característica. Sim, CARACTERÍSTICA. 

Enfim. Leandro tem algumas características interessantes. Tem uma memória fotográfica invejável. (Se você se perder no trânsito, um dia, ligue pra ele. Ele vai identificar o local onde você está com apenas 2 ou 3 informações e vai te guiar quarteirão a quarteirão como se estivesse lá!). Ele também tem um olho muito atento a detalhes…aqueles que ninguém costuma perceber. E tem uma inteligência bem acima do normal. Ok, vou parar por aí.

E, daí, logo que descobrimos o autismo do Theo, comecei a pensar em que parte disso poderia ter vindo de mim. Porque eu, realmente, não tenho nada que se encaixe muito nesse padrão. Mas…acabei descobrindo, um tempo depois, que tenho TDAH (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade). E um estudo recente mostrou que o TDAH e o autismo têm similaridades genéticas! Olha que coisa! 🙂

E, para completar, algumas pessoas da minha família têm traços autísticos, com certeza! E, isso, a gente só percebe depois! Pessoas que falam olhando para o chão, que andavam nas pontas dos pés quando crianças, extremamente inteligentes, mas com certa dificuldade em manter uma conversa.

E é aí que reside toda a complexidade do autismo: na mesma complexidade da genética. Um dia, a gente pode vir a saber disso em detalhes, mas como garantir que os principais genes não vieram de um bisavô assim como o cabelo ruivo da minha colega de infância? Ou que, simplesmente, todos esses genes “diferentes” da minha família e da do Leandro se juntaram no Theo?

Na verdade, não importa. Porque a questão, aqui, não é culpar ninguém. (Acredite, eu conheço gente que se culpa até pelos genes que passou para o filho!)

Eu não teria culpa de “passar” o autismo para o Theo da mesma forma que não tenho por dar-lhe os olhos iguais aos meus. E as perninhas compridas que ele herdou do pai vieram com outras coisinhas de brinde também…dentre elas, a própria inteligência que percebemos nesse mocinho.

E tudo isso, que veio de um lado e do outro, formou o Theozão do jeito que ele é, e que nós amamos. E o que acontece com ele não é tão diferente do que acontece com outras pessoas: suas dificuldades devem ser trabalhadas para que ele possa superá-las.

Vai ser mais difícil que a média das pessoas? Provavelmente. (Aliás, recentemente, meu marido tem me dito que nada vem muito fácil pra nós dois).

E eu só penso no seguinte: você já ouviu falar na história da uva? Dizem que, quanto mais dificuldade a raiz tiver para perfurar o solo, mais açúcar a planta produzirá e mais doce será a uva.

E eu acho que é assim pra todo mundo que tem mais dificuldades em qualquer aspecto da vida: as uvas que você colhe, no final, são infinitamente mais saborosas!

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