Mãe que conserta (quase) tudo



A segunda foto do Theo


Chegando nas semanas finais da gravidez, eu também sabia o que fazer: tentaria o parto normal e, se não fosse possível, faríamos a cesariana. E foi através dela que você veio ao mundo, filho! Às 11 horas e 28 minutos do dia 9 de junho de 2008. Eu tinha virado, oficialmente, MÃE.


Meu lindo bebê no hospital


E, já na maternidade, eu percebi que tinha acabado a minha fase de “sabe tudo”. Comecei a levar um baile do bebê bochechudo de quase 4 quilos ali mesmo. Você chorava forte e alto, tão alto que sabíamos que a enfermeira estava te levando ao quarto com um bom tempo de antecedência. E

u me sentia totalmente sem jeito com você e morria de vergonha das visitas…a impressão que eu tinha era que a minha falta de jeito transparecia! E chegou o momento de pânico total: aquele em que a enfermeira entra no quarto e diz “tudo certo com a alta de vocês. Podem ir pra casa”. Olhei para o seu pai, ele olhou de volta pra mim, e ambos olhamos pra você, que dormia tranquilamente no bebê conforto. Ninguém precisava dizer nada. A frase que pairava no ar era “E AGORA??”. Como assim “pode levar pra casa?”. Cadê o manual de instruções??


Um sorrisão na despedida do hospital


E fomos saindo, pisando leve, quase fazendo “shhhhh” pra todo mundo em volta. Seu pai tentava balançar o bebê conforto o mínimo possível para que você não acordasse. Entramos no carro e, após alguns minutos, estávamos em casa.

E agora? Deixávamos você no bebê conforto ou no berço? E se você acordasse? Talvez o carrinho fosse melhor… Será que eu já devia te acordar pra mamar? E essa fralda? Como eu saberia se ela estivesse cheia de xixi? Devia trocar naquele momento ou esperar mais um pouco? Mil perguntas, nenhuma resposta. Uma mãe caloura, totalmente inexperiente, que foi aprendendo tudo com a prática.


Theo com uma semana de vida


Sabe, filho, o Calvin acha que mãe é aquela que sabe consertar tudo. Mas eu tenho que te confessar que não sou capaz disso.

Eu não soube consertar a sua cólica e chorava junto naquelas noites intermináveis, quando você se contorcia de dor. Eu não soube consertar o chão e os móveis pra que você caísse menos quando começou a andar. E eu também não pude consertar nada quando o médico nos disse, quando você tinha 2 anos, que era autista. E, depois de pensar muito sobre isso, cheguei a algumas conclusões.

Eu não tenho super poderes, mas tenho um amor infinito, maior que o mundo. Eu não pude acabar com as suas cólicas, mas segurei você firme no meu colo até o fim, todas as vezes, fazendo carinho nas suas costas e dizendo que tudo ia ficar bem, até você, por fim, se acalmar e dormir. Eu não pude deixar o chão mais macio nem menos esburacado pra que você não caísse, mas eu te pegava no colo, cuidava dos seus arranhões e fazia cócegas pra que você esquecesse a dor o mais rápido possível.

E, quanto ao autismo, hoje eu sei a verdade: eu não preciso consertar nada porque você, simplesmente, não precisa de conserto! Você precisa de amor, de compreensão, e de alguém que esteja ao seu lado para te ajudar a entender melhor o mundo e a se fazer entender. E essa pessoa sou eu! Sua mãe!

Obrigada por me fazer mãe! Obrigada por me mostrar que eu posso não saber de tudo, mas que você não espera de mim nada mais do que eu já te dou, de bom grado, todos os dias!

(Os conteúdos produzidos por Andrea Werner neste site e disponibilizados no site são protegidos por copyright e não podem ser reproduzidos, total ou parcialmente, sem autorização expressa da autora, mesmo citando a fonte) Fotos: arquivo pessoal

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