Mari e Agatha: amor, intervenção precoce e milagres

A vida dá voltas que a gente nunca iria imaginar.

Conheci a Mariana – autora desse guest post – há uns 6 anos, em uma multinacional onde trabalhei. Participei da seleção dela como estagiária.

E, aqui, vai a confissão: eu, naquela época, era muito crua na vida. Praticamente recém casada, ainda cultivava aqueles “preconceitos-chavão”. Tanto que, quando os outros gerentes me perguntaram o que achei daquela moça bonita chamada Mariana, minha resposta foi: “Apesar de demonstrar ser inteligente, ela não faz contato visual. Fala olhando pro chão. Não curti muito, não”.

cri…cri…cri… (Mari, eu nunca te contei isso, né?!)

Pois é. A Mari foi contratada. E se mostrou uma excelente estagiária. E profissional. E, bem mais tarde – em meados de 2012 – , descobri que, acima de tudo, ela se tornou uma mãe fenomenal. Tão nova, tão madura, tão compreensiva e tão guerreira.

E ela – juntamente com a Agatha, sua linda filhinha – fizeram minha vida ser mais colorida. E me deram o maior motivo de orgulho que esse blog poderia me dar. Mas vou parar de falar agora. Quem vai contar isso pra vocês é a própria Mari, mas o título fica por minha conta! 🙂

Mari e Agatha: amor, intervenção precoce e milagres

Oie! Sou a Mariana, tenho 27 anos, casada com o Alexandre e mãe de uma linda menina de um ano e  7 meses, a Agatha. Quando a Andréa comentou de escrever um post por aqui fiquei super feliz e nervosa ao mesmo tempo. Afinal, nossa querida mãe do Theo tem um dom incrível com as palavras! Mas acho que a minha experiência pode ajudar muitas mamães, então achei muito importante compartilhar.

Agatha nasceu no dia seis de junho de 2011, em um parto LINDO, emocionante, depois de uma gravidez maravilhosa e muito desejada, na qual aproveitei cada segundo e cada chute da minha pequena. Nasceu super saudável, tomou banho de luz por um dia, e fomos para casa.


foto: arquivo pessoal

foto: arquivo pessoal


Sempre foi MUITO boazinha…acho que só a ouvimos chorar pela primeira com 2 ou 3 meses. Dormiu a noite toda desde o primeiro mês e mamou no peito exclusivo até 6 meses. Atingiu todos os marcos de desenvolvimento até, mais ou menos, 8 meses.

Na consulta do 8º mês, falei com o pediatra sobre uns movimentos repetitivos que ela apresentava nos pés. Algo me dizia que era neurológico, e meu pediatra pediu para observar por um mês e ver quando ela fazia esses movimentos.

Seguimos nossa vida e, em março, fomos passar um feriado na fazenda de uma amiga querida. No domingo, chegamos em casa e, como todo fim de semana, peguei a Veja para ler depois que a Agatha dormiu. E, nesse momento, senti um frio na espinha que jamais vou esquecer. Estava lendo uma reportagem sobre autismo, e sobre a importância do diagnóstico e intervenção precoce.

Minha filha tinha TODOS os sintomas apresentados na reportagem, TODOS! Nunca fez contato visual ao mamar, apresentava movimentos repetitivos com os pés, não dava tchau, não mandava beijos e não apontava aos 9 meses, ficava muito tempo concentrada em um detalhe de um brinquedo, não respondia ao nome, e não esboçava nenhuma reação quando eu ou o pai voltávamos do trabalho.

Era tão quieta que muitas pessoas falavam: “nossa, mas ela é tão boazinha, brinca sozinha, acho que não é normal! “. Na hora, fui falar com meu marido que, de primeira, achou que eu era louca. Aí, li os sintomas e lembro da mudança na feição dele… Falei com o pediatra e ele, imediatamente, me recomendou procurar um neuro e um psiquiatra.


foto: arquivo pessoal

foto: arquivo pessoal


Foi aí que as lágrimas começaram a escorrer sem parar. Aquilo era real, não era uma “nóia de mãe.” Em meio às lágrimas, entrei na Internet e comecei a pesquisar loucamente, e um dos primeiros blogs com que me deparei foi o Lagarta Vira Pupa. E, rapidamente, reconheci a mãe do lindo Theo, com quem eu tinha trabalhado e até acompanhado o início da gravidez.

Procurei a Andrea no Facebook, que imediatamente me deu seu número. Liguei para ela chorando, pedindo para entender um pouco mais disso tudo. E a Andrea acalmou meu coração, falou que tudo ia dar certo e me indicou um neuro. Na segunda-feira cedo, já liguei para agendar um horário. Nesse dia, fui trabalhar, mas a cada meia hora, me levantava para ir no banheiro chorar. Não entendia direito o que estava acontecendo, uma avalanche de sentimentos, dúvidas, e medo, muito medo, e muita insegurança. Overwhelmed. E, nesse período, meus pais estavam viajando, e mesmo de longe tentaram me dar toda a força do mundo.

Chegou o dia da consulta e fui com um nó na garganta. O neuro examinou, brincou, chamou e, no final, pediu para tirarmos a Agatha da sala para conversar conosco. A conversa foi mais ou menos assim: “Mãe, se fosse minha filha eu colocaria na terapia JÁ. Ela tem, sim, alguns sintomas. Quanto mais precoce for a intervenção, melhor será a evolução. E, se ela não tiver nada, mal não vai fazer.”

Nessa hora, eu não sabia se chorava mais, se perguntava um milhão de coisas, se saía correndo da sala para agarrar minha pequena… No fim, nem me  lembrei das MILHARES de perguntas que tinha para fazer e pedi o telefone da terapeuta que ele indicava. Quis entender um pouco sobre ABA, como funcionava, o que trabalhariam.

Perguntei sobre o futuro. SE ela estivesse no espectro, como seria o futuro? Ela seria feliz? E a resposta foi: “Não sei te dizer. Cada criança é diferente, e a evolução de cada uma delas é diferente também.”  E foi aí que percebi que o mais difícil de TODA essa caminhada seria a incerteza.  Ainda mais para mim, que sou uma pessoa super ansiosa, prática, que gosta de planejar tudo.

No mesmo dia, liguei e agendei a avaliação com a terapeuta para aquela semana. A Agatha iniciou ABA aos 9 meses. As terapeutas foram MARAVILHOSAS, sempre muito carinhosas, e fazíamos reuniões para falar da evolução da Agatha e entender melhor como podíamos colaborar em casa.

E, dia a dia, percebemos a evolução. O primeiro sinal – e mais marcante para mim – foi que os movimentos estereotipados pararam. Aos poucos, foram diminuindo e, um dia, percebi que ela não fazia mais!


foto: arquivo pessoal

foto: arquivo pessoal


Ao longo dos meses, a melhora da Agatha foi incrível, e a cada dia que passava eu ficava mais ansiosa pelo retorno ao neuro.

E dia 23 de novembro chegou mais rápido do que eu esperava. Eu e meu marido levamos a Agatha ao neuro bastante otimistas, mas sempre com aquele frio na barriga. Chegamos ao consultório, e o nosso querido médico conversou conosco sobre a evolução da Agatha. Fez diversas perguntas e, em seguida, começou a examinar e brincar com ela. Nos sentamos novamente na mesa e ele nos disse: “Bom, não preciso falar nada, certo?”. Eu e meu marido olhamos um para o outro na hora e respondemos: “CLARO que precisa!” hahaha. Tínhamos entendido que eram boas notícias, mas queríamos ouvir com todas as letras.

Ele falou que ela não tinha nada, mais nenhum sinal. Deixou claro que nunca iríamos saber se ela não estava no espectro ou se estava (de forma leve) e a intervenção precoce ajudou a reverter.

Eu tenho certeza que a intervenção precoce foi o que mudou o diagnóstico da minha filha. Ela tinha alguns comportamentos muito típicos que sumiram!!!

E aí vem a parte mais linda de tudo isso. Eu me envolvi com muitas mães especiais, mergulhei nesse mundo de cabeça e de peito aberto. E minha vida mudou com tudo isso.

Mudei a forma de ver o mundo, mudei a forma de observar pessoas, aprendi a não julgar, aprendi a conhecer, aprendi a lidar com pessoas especiais, descobri um mundo lindo de pessoas que se ajudam e apoiam e que me fizeram acreditar na humanidade novamente.

Tem muita gente preconceituosa e horrível nesse mundo. Mas tem muita gente maravilhosa, generosa e disposta a ajudar também. Descobri, também, o que é o amor incondicional de mãe de verdade, que ama MAIS e MAIS a cada dificuldade, que só pensa na felicidade do filho, que se preocupa com as dificuldades que ele vai ter que enfrentar e que está disposta a mudar o mundo para que tudo fique mais fácil para ele. Hoje, quero retribuir todo o carinho e amor que recebi nessa curta mas importante jornada. Espero poder fazer por outras mães o que a Andréa, meu marido, minha mãe, meu pai, meus avós, meu pediatra, as terapeutas, a Débora (e tantas outras mães lindas,) e meus amigos fizeram por mim! E ajudar a deixar o mundo melhor para os nossos filhos!

Por fim queria agradecer MUITO a Andrea por todo o apoio e carinho em todo o processo! Fez toda a diferença na minha vida! Tivemos a alegria de conhecer o Theozão recentemente e espero que a Agatha e o Theo virem grandes amigos! Obrigada de coração!


Theozão não perdeu tempo e tascou um beijo na Agatha!

Theozão não perdeu tempo e tascou um beijo na Agatha!


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