Não, vacinas não causam autismo.

“Uma mentira dá meia volta ao mundo antes que a verdade tenha tempo de colocar suas calças”. 

~ Winston Churchill

Começo o post já pedindo desculpas por um texto tão longo. O tema, no entanto, é complexo e merece ser tratado com atenção. Eu me sinto, hoje, como alguém saindo do armário. Passei muito tempo tentando evitar conflitos com esse blog e a fanpage, mas o assunto é grave e guardar minhas opiniões comigo mesma não me parece mais razoável. Eu sei que vai ser dor de cabeça, sei que devo perder muitos seguidores com isso, mas não tem problema. Nunca mantive o blog pra ter fama, muito menos dinheiro. Então, quem ficar, sabe que essa é a minha posição. E, até segunda ordem, ela é inegociável. Inegociável porque vacinas salvam vidas.


Mortalidade por doença na era pré vacinas (esquerda) e pós vacinas (direita) nos EUA


Inegociável porque crianças estão morrendo de doenças que já estavam erradicadas há anos. Chega uma hora em que “enough is enough”, como dizem os americanos. Já deu. Chega. A histeria está passando totalmente dos limites. E, justamente porque o assunto é sério, queria fazer um pedido simples a quem for comentar: leia o texto inteiro antes. Cheque se a sua dúvida ou contestação já não está respondida no texto ou em um dos vários links onde pesquisei e me baseei, e que se encontram ao longo do post. Se eu perceber que alguém está comentando sem ler, minha única saída vai ser responder algo como “fulano/a, você não leu o texto”. 

HISTÓRICO

Vamos ao que interessa. Toda essa confusão sobre vacina causar autismo veio quando, em 1998, um médico britânico chamado Andrew Wakefield publicou um estudo, no jornal científico “The Lancet”, dizendo que a vacina tríplice (MMR) causava autismo. Sem enrolar muito mais, vamos aos fatos:

  1. O sr Wakefield chegou a essa conclusão brilhante com uma amostra ENORME de…12 crianças. Isso mesmo. DOZE crianças.

  2. Analisando o histórico médico das crianças, chegou-se à conclusão de que 5 delas já tinham autismo antes da MMR e 3 nem mesmo eram autistas. Wakefield sabia disso e falsificou os dados ao dizer que, em todos os casos, a regressão se deu após a vacinação. A maioria delas, inclusive, nem apresentava a tal “inflamação no intestino”que, segundo ele, teria sido causada pela MMR e levado ao autismo. Leia mais AQUI;

  3. Uma investigação mostrou que Wakefield tinha recebido quase US$ 700 mil de advogados, das famílias das crianças estudadas, que pretendiam processar a indústria farmacêutica por “danos causados pela vacina”. Um conflito de interesses ENORME que ele não reportou quando publicou seu “estudo”. Você pode ler mais sobre isso AQUI;

  4. Para piorar, uma investigação do jornalista Brian Deer mostrou que Wakefield estava tentando patentear “uma nova vacina MMR segura”. Isso mesmo. Bem espertão. Claro que ele negou quando isso veio à tona, mas você pode ver o documento de solicitação de patente em seu nome, onde se lê claramente VACINA, AQUI.

  5. No final das contas, o The Lancet retirou o artigo e Wakefield perdeu sua licença médica por má conduta.

Acontece que o sr Wakefield arrumou fãs famosos, como a atriz Jenny McCarthy, nos Estados Unidos, que propagaram suas ideias. E o resultado disso nós estamos vendo agora: o número crescente de pais que se recusam a vacinar os filhos está trazendo de volta doenças já erradicadas. Os Estados Unidos e a Europa estão enfrentando surtos de sarampo, rubéola e até coqueluche. A taxa de imunização no Reino Unido em 2003/2004 foi de 80%, bem abaixo dos 95% recomendados pela Organização Mundial de Saúde para garantir que não vai haver epidemias. E, em 2008, pela primeira vez em 14 anos, o sarampo foi declarado endêmico na Inglaterra e no País de Gales. Milhares de crianças estão à mercê da doença por causa do medo gerado por uma pesquisa fraudada.  (Fonte: BMJ 2011;342:c7452) Nos Estados Unidos, 288 casos de sarampo foram reportados esse ano no primeiro semestre. É o maior número de casos nesse período desde 1994. Mais de 1 em cada 7 casos levou à hospitalização e 90% dos casos foram em pessoas não vacinadas. (fonte: CDC)


O crescimento absurdo nos casos de sarampo este ano nos Estados Unidos


Mas eu sei que qualquer pesquisa no google com o tema “vacinas e autismo” vai deixar o cidadão de cabelo em pé. E, o pior: todo mundo sempre tem, também, um conhecido pra tocar um terror sobre as vacinas. Então, aqui vai um guia rápido pra você saber como se virar nesse papo:

A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA, A “BIG PHARMA”

Esse rende. Portanto, tem vários tópicos. Vamos por partes.

1) Alguém vai te dizer que não há estudos suficientes provando que vacinas não causam autismo.

Desde que o estudo fraudulento de Wakefield saiu, outros inúmeros foram feitos para tentar refutar ou replicar os resultados dele. Com isso, mais de 25 MILHÕES de crianças, no total, foram estudadas. E nenhum estudo (SÉRIO, veja bem) confirmou os resultados de Wakefield. Muito antes pelo contrário. Se você quer dar uma olhada em uma lista de estudos bem grande que mostra que vacinas não causam autismo, há 107 deles AQUI. Aí tem de tudo: thimerosal, calendário apertado, resposta imune a muitas vacinas juntas, TUDO.

Aliás, sobre “o perigo das múltiplas vacinações” e da “sobrecarga do sistema imunológico da criança” (que já foi provado que não causa autismo nesse estudo AQUI), você já parou pra pensar que qualquer virose ou infecção bacteriana faz isso? E os beijinhos, os brinquedos do bebê que vão no chão e na boca, nada?? E olha que a vacina é feita de vírus e bactérias desativados/atenuados. A vida real não é assim.

2) Alguém vai te dizer “ah, mas todos esses estudos foram bancados pela BIG PHARMA”, que quer ocultar os resultados.

O ônus da prova é de quem acusa, não é?! Mande a sua amiga provar. Ela pode entrar em um por um da lista acima e anotar quais foram, de fato, pagos por farmacêuticas. Eu te garanto que grande parte deles não foi. E o último e mais recente estudo, bem robusto, que examinou o histórico de 1.3 MILHÕES de crianças no mundo e provou que não há relação entre vacinas e autismo, foi tocado pela Universidade de Sydney. Você pode ler mais sobre esses resultados AQUI.

3) Alguém vai te dizer “mas eu tenho uma lista de 50 ESTUDOS CIENTÍFICOS “isentos” que provam que vacinas causam, sim, autismo”.

Eu tenho uma amiga que é modelo por profissão e fica P da vida quando qualquer subcelebridade aparece na mídia como “modelo”. É o mesmo com pesquisa científica. Tem muito caroço nesse mingau. Muito joio no meio do trigo. Existe amostra insuficiente, conflito de interesse, teste estatístico errado, pesquisas que não podem ser replicadas, que não foram revisadas por outros cientistas para checar por inconsistências, e um monte de jornal que se diz científico, mas que publica qualquer coisa se pagarem bem.

E, sobre os mais de 50 estudos que alguém te passou o link, todos podem ser desacreditados em minutos por um (ou mais) dos motivos que eu citei acima. Felizmente, alguém já fez isso. Quer ver? Clique AQUI.

4) Alguém vai dizer “ah, mas a BIG PHARMA só pensa no lucro, só quer ganhar dinheiro”.

Eu não queria ser a pessoa a te dar essa notícia. Você está sentado/a? Então vamos lá. Todo mundo quer ganhar dinheiro. Seu tio Everaldo, que tem uma van escolar, quer ganhar dinheiro. Sua prima Jaqueline, que vende brigadeiro gourmet, também quer ganhar dinheiro. O pessoal que vende suplemento alimentar também quer ganhar dinheiro. Quem vende comida sem glúten quer ganhar dinheiro. A pessoa que fala que vai “desintoxicar as vacinas” do seu filho também quer ganhar dinheiro. E até o cara que vende homeopatia quer ganhar dinheiro. (Atenção, não estou questionando a índole de ninguém! Só estou mostrando que ninguém faz nada disso de graça!)

E, quer saber de uma coisa? Se a BIG PHARMA está ocultando que vacinas causam autismo pra vender mais vacinas, eles têm péssimos consultores de negócio e estratégia. Sabia que as vacinas são menos de 3% do lucro total das farmacêuticas?


920 bilhões de dólares: faturamento das farmas, em 2011, sem contar com vacinas. 24 bilhões: faturamento por vendas de vacinas em 2013 (o vermelhinho do gráfico).


Aliás, onde você acha que uma farmacêutica ganha mais? Em uma dose de MMR ou em uma internação de vários dias de um criança por sarampo?


À esquerda, o que a BIG PHARMA vendeu para uma criança que não vai ter sarampo (a vacina MMR). À direita, o que vendeu para uma criança que foi internada por pegar sarampo. A conta é simples.


5) Alguém vai te dizer que não se fazem testes suficientes de segurança com as vacinas. 

Esta pessoa está errada. Só como exemplo, cite ESSE estudo que foi feito para avaliar a segurança e efetividade da vacina pneumocócica com mais de 37 mil crianças (perceba a diferença do tamanho de amostra com as 12 crianças estudadas pelo Sr.Wakefield)

OS TÓXXXXXICOS DAS VACINAS

1) Alguém vai dizer “vacinas têm thimerosal, um negócio que tem mercúrio, que é tóxico e causa autismo”. 

  1. Várias informações aí. Pra começar, faz uns 10 anos que o thimerosal, um conservante, foi retirado da maioria das vacinas, ficando só na de gripe. E as crianças continuam sendo diagnosticadas com autismo. Aliás, a MMR, vejam só, NUNCA teve thimerosal! Que coisa, hein?!

  2. Primeiro que o metabolismo do thimerosal gera Etil Mercúrio, e não Metil Mercúrio. Parece besteira, mas a diferença é grande. O Etil Mercúrio (ou Mercúrio Etílico) não acumula no corpo. O Metil Mercúrio (o mesmo encontrado em peixes) é tóxico e acumula. Pra ilustrar isso, pense no álcool. Se você ingerir o Álcool Metílico (o álcool de cozinha), pode ficar cego ou até morrer. Já o Álcool Etílico é o encontrado em bebidas como vodka e whisky.

 2) Alguém vai dizer “mas as vacinas têm alumínio e formol, que são tóxicos”. Os sais de alumínio são utilizados para aumentar a resposta imune do corpo à vacina. Sua segurança já vem sendo provada há 70 anos, em milhões de pessoas, e raríssimos efeitos colaterais. (Gupta RK, Rost BE, Relyveld E, Siber GR. Adjuvant properties of aluminum and calcium compounds. In: Powell MF, Newman MJ, eds.Vaccine Design: The Subunit and Adjuvant Approach. New York, NY: Plenum Press; 1995:229–248) Agora, as crianças não têm contato com alumínio só nas vacinas. Ele é abundante no ambiente (no ar, na comida, na água). Por exemplo, o leite materno contém, em média, 0,38 mg de alumínio por litro. As fórmulas infantis contêm, em média, 0,225 mg de alumínio por litro. As vacinas contém uma quantidade similar à das fórmulas. Enquanto os bebês recebem em torno de 4.4 miligramas de alumínio, nos primeiros 6 meses de vida, através das vacinas, eles ingerem mais do que isso na dieta. Bebês que mamam no peito recebem, em média, 7 miligramas, e bebês que tomam fórmula ingerem 38 miligramas no mesmo período. O alumínio é eliminado do corpo em 24 horas (Keith LS, Jones DE, Chou C. Aluminum toxicokinetics regarding infant diet and vaccination. Vaccine.2002;20 :S13– S17). E, fazendo as contas, a quantidade de alumínio à qual as crianças estão expostas com a comida e vacinas é bem menor que a recomendada e bem menor que a considerada segura em experimentos com animais. Quanto ao formol, ele está presente na natureza e no nosso próprio sangue. Então, serei breve:


Adaptação de um meme da página www.facebook.com/RtAVM


Mais detalhes sobre o formol, pra quem quiser, AQUI. 3) Alguém vai dizer “mas a vacina contém tecidos de fetos abortados”.


Adaptação de conteúdo: facebook.com/RtAVM


BULA E VAERS

1) Alguém vai dizer “mas os próprios registros do VAERS e das bulas das vacinas falam que podem causar autismo e outros danos graves”. O VAERS é um programa que monitora a segurança das vacinas depois de lançadas nos Estados Unidos. O objetivo é checar se algum efeito colateral que não apareceu nos testes anteriores vai surgir, para que tomem as devidas precauções. Qualquer um pode e deve fazer reportes ao VAERS. O governo, inclusive, incentiva isso. Se você vacinou seu filho nos Estados Unidos e ele teve qualquer coisa considerada grave, mesmo que você não tenha certeza de que foi a vacina, você pode entrar no site do VAERS e colocar isso lá. Você pode, também, mencionar isso para o médico do seu filho e ele faz o reporte. O ponto é: os relatórios do VAERS, para quem lê (inclusive partes nas bulas das vacinas) são RELATOS. Não são dados investigados e comprovados. Então, a grosso modo, se meu filho tomou uma vacina e eu achei que isso fez ele mudar de orientação sexual, eu posso reportar isso ao VAERS. E isso VAI APARECER nos relatórios da vacina em questão. Leia mais sobre o VAERS aqui. Um estudo recente do VAERS mostrou que menos de 3% dos relatos de reações adversas relacionadas a vacinas estavam, de fato, relacionados a elas. E a maioria dessas reações adversas, após a análise, eram leves. O total de reações adversas consideradas graves é menos de 1% do total. E, para esses casos raros, há um fundo de compensações. Então, ninguém está falando que não há riscos. Mas que eles são muito pequenos se compararmos com os benefícios das vacinas. Outra coisa importante é que a bula da vacina tem que reportar qualquer morte ocorrida durante os períodos de teste. Mesmo que essa morte não tenha nada a ver com a vacina. Um bom exemplo é a bula da vacina Gardasil, que causou furor por falar em 40 mortes:


As razões das mortes: acidente de carro, overdose de drogas, suicídio, ferimento por arma de fogo. Justamente as mortes comuns entre adolescentes. Em um estudo com mais de 29 mil pessoas onde morreram 21 pessoas no grupo que tomou a vacina e 19 no grupo que tomou o placebo. Diferença estatística nenhuma! Mas, isso, os antivax não contam.


Passar isso pra frente assim, pela metade, ou é falta de informação ou é desonestidade intelectual. Mais explicações sobre os reais danos da vacina e todo o quiprocó do Gardasil, você encontra AQUI. A lógica do pessoal antivacina é mais ou menos assim:


Não confie na BIG PHARMA! Não confie no CDC! Não confie no FDA! Eles são mentirosos e enganadores! Exceto quando eles citam efeitos colaterais nas bulas das vacinas. Isso aí é perfeito e irretocável.


CORRELAÇÃO E CAUSA

1) Alguém pode até te dizer que viu o filho ficar autista após uma vacina.

É bem comum o autismo se manifestar em torno dos 2 anos de idade, justamente quando a criança toma a famosa MMR. Mas correlação não é causa. Aqui vai um exemplo simples disso:


Tradução do original da página www.facebook.com/RtAVM


Uma vacina que o Theo tomou quando tinha um ano e meio deu uma reação forte na perna dele. Ficou vermelho, inchado, e acabou tendo que tomar antibiótico por causa disso. Por algum tempo, algumas pessoas da família chegaram a pensar que “a culpa” do autismo foi dessa vacina. Até eu resgatar uns vídeos e mostrar que o autismo se manifestou no Theo antes da tal vacina. Mais precisamente, 6 meses antes. E é justamente pra mostrar se dois fatores estão realmente relacionados que existe a ciência séria. Não é infalível, mas ainda é melhor ferramenta que nós temos.

OUTROS MITOS

1) Alguém vai te dizer “essas doencinhas que as vacinas previnem não são tão graves assim”.

  1. Em 2012, houve 122 MIL mortes por sarampo no mundo;

  2. A vacinação contra o sarampo resultou em uma queda de 78% nas mortes entre 2000 e 2012. Antes de 1980, quando a vacinação surgiu, as mortes chegavam a 2.6 milhões por ano. (fonte: OMS)

  3. Em 2008, houve 16 milhões de casos de coqueluche no mundo, e 195 mil crianças morreram. (fonte: OMS)

  4. Em 2012, foram 20 mortes por coqueluche nos Estados Unidos, uma doença que já estava praticamente erradicada e que é, muitas vezes, fatal, quando adquirida por um bebê. (fonte: CDC)

  5. Uma pessoa com coqueluche pode tossir tanto que chega a quebrar as costelas! Leia mais AQUI.

E, aqui, cabe um testemunho pessoal. Meu irmão teve uma rubéola que foi confundida com sarampo aos 2 anos. Portanto, minha mãe não o vacinou contra sarampo depois.  Quando ele tinha 13 anos, veio o sarampo. Tão violento que o branco dos seus olhos ficou vermelho. E o médico falou para os meus pais que, se ele pegasse uma simples gripe, morreria. Lembro de um dia, o Guilherme aparecer de cabelo molhado à noite depois do banho. Minha mãe entrou em desespero e secou o cabelo dele e chorando. Que mãe quer passar por isso? 2) Alguém vai te dizer “mas por que o MEU filho não vacinado ameaça o seu vacinado”?

  1. As vacinas são dadas em um calendário que não se completa até a criança ter 4 anos de idade;

  2. Os bebês são muito vulneráveis a doenças para as quais ainda não foram vacinados e, entre eles, a mortalidade é bem maior;


Essa é a Lorena, filha da Bruna Iasi, minha amiga, quando ficou internada por 15 dias na UTI e quase morreu porque pegou uma coqueluche aos 20 dias de vida. A história dela vai ser contada em detalhes em um próximo post.


  1. Durante um surto de doença, a criança não vacinada é mais propensa a pegar e a contaminar outras pessoas (muitas doenças são transmissíveis mesmo antes dos sintomas aparecerem);

  2. Pessoas idosas, com câncer, com qualquer problema que abaixe a imunidade ou pessoas realmente alérgicas aos componentes da vacina dependem da vacinação coletiva para não se contaminarem.

Ou seja, não vacinar seu filho é uma decisão que afeta toda a comunidade, e não só a sua casa. 3) Alguém vai te dizer “mas um cientista do CDC confessou que eles ocultaram dados de uma pesquisa que mostrava que a vacina MMR causava autismo!” Esse caso ficou conhecido recentemente como o “CDC whistleblower”. Quem lançou toda a bagunça na internet através de um vídeo no youtube foi Andrew Wakefield…aquele mesmo. Quem teria analisado os dados e mostrado a tal correlação é um cara chamado Brian Hooker, zero qualificado para fazer esse tipo de análise, pai de uma criança autista e diretor da Focus Autism, uma ong que tem como objetivo principal provar que vacinas causam autismo. Já temos aí um conflito grande de interesses. O cientista William Thompson, do CDC, teve sua voz gravada sem permissão por Brian Hooker, que a divulgou no vídeo de Wakefield. Ele acabou lançando um comunicado oficial dizendo que discordou de seus pares sobre excluir do estudo dados que mostravam que crianças negras apresentaram autismo após a MMR (super resumo). Mas que ele ainda acredita que vacinas são super importantes e salvam vidas e blablablabla. Ok. Vamos lá. Imagine que, do nada, aparece um cientista falando que o Pé Grande sempre existiu e que o governo americano escondeu evidências. E que ele participou de uma expedição onde, de fato, capturaram o Pé Grande. Mas que os parceiros dele na expedição decidiram não divulgar esse fato. O que você espera desse cara? Eu esperaria que ele divulgasse uma foto, um vídeo, qualquer coisa comprovando que, realmente, pegaram o Pé Grande, certo? Daí, o cara aparece com uma foto de um pé peludo. Pohan, seria uma pantufa? Uma pata de coelho ampliada? Por que não apareceu logo com uma foto do Pé Grande de corpo inteiro? Cadê o vídeo??? Pra mim, foi exatamente essa a sensação. William Thompson fala de dados relevantes que foram omitidos. Daí, pensei, “uau, vai vir um super negócio convincente, praticamente o Elo Perdido”. E me aparece uma análise como a do Brian Hooker? Com uma base mínima (garotos afro-americanos entre 24 e 36 meses) sem certidão de nascimento, num total de VINTE E DOIS casos! O cara torturou os dados, pegou um estudo que era caso/controle e analisou como estudo de grupo, aplicou testes estatísticos errados, em uma base mínima…e tudo pra isso? E eu posso dizer isso com uma certa propriedade porque trabalhei com estatística e pesquisa de mercado por longos anos da minha vida. Se eu recebesse um dado assim de um instituto, eu mandaria checar imediatamente! Aliás, só de ver o número de casos como 22 (em um estudo com quase 1500 crianças), eu já desconsideraria. Gente, desculpa aê: mas que sentido faz mais de 300% de aumento de autismo só entre um grupo de “crianças afroamericanas entre 24 e 36 meses”? Segundo os cientistas, o genoma de todos nós é 99,5% igual independente de raça ou cor. A revista que publicou a “reanálise” do Hooker logo percebeu isso e a retirou do ar. Prato cheio para os conspiracionistas, que simplesmente não podem admitir que o material era RUIM. Enfim…toda a bagunça está super documentada AQUI, inclusive com os reais motivos pelos quais as crianças foram excluídas do estudo. E com o link para o tal estudo do CDC se alguém aí quiser se aventurar a “reanalisar” alguma coisa.

 PARA CONCLUIR

Ultimamente, tem surgido uma certa rejeição ao rótulo de antivacina (ou antivax, como chamam nos Estados Unidos). “Ah, mas eu não sou antivacina. Eu só quero vacinas seguras”. Então, você está dizendo que as vacinas atuais não são seguras. E, muito provavelmente, você aconselha as suas amigas que estão tendo filhos a não vacinar. Então, sim, você é antivacina. A conta disso tudo está chegando e não é barata. Várias doenças erradicadas voltando, crianças morrendo, tudo por causa de um boato iniciado há alguns anos e disseminado como verdade. A partir do momento em que você acredita em uma teoria da conspiração, tudo passa a fazer parte dela. Qualquer pessoa que vá contra é acusada de “rabo preso”. Até eu, se bobear, vou ser acusada de estar ganhando dinheiro da BIG PHARMA (sinceramente, eu não me surpreenderia).


A lógica antivacina: O paper (de Brian Hooker) foi publicado. A conspiração é verdade!!! O paper foi retirado. A conspiração é verdade!!!


Uma das perguntas que mais aflige pais de crianças com autismo é: “por que?”. Infelizmente, sinto dizer, essa pergunta ainda não tem uma resposta completa. Um estudo sueco recente mostrou que 50% dos casos são genéticos. O resto, vem de causas ainda desconhecidas, apesar de já se ter uma noção de fatores ambientais de risco, como baixo peso ao nascer e infecções na mãe durante o parto. O ser humano tem a tendência natural de querer respostas. Mas a ciência, infelizmente, não é onipotente. Muitas vezes, a resposta mais honesta é “eu não sei ainda”. E uma reflexão importante:  


Texto de Miranda Bailey – traduzido para Português


Para terminar, a palavra dos autistas:

“Sou autista e estou doente com essa implicação de que a minha deficiência é pior do que a morte do filho de alguém”. ~ Brian K.

“Eu tenho autismo leve e estou de saco cheio dos antivacina roubarem a minha voz e me retratarem como doente ou estragado”. Christian M.

P.S 1: Todos os links levam para sites em inglês. Infelizmente, não há muita literatura confiável em português sobre o assunto. Mas basta copiar o texto e jogar no Google Translator pra conseguir entender a maior parte!

P.S 2: Um documentário MUITO legal sobre vacinas tá aqui:


  1. Facebook

  2. Twitter

  3. E-mail

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