Poder de mãe (blogagem coletiva)

É madrugada e acordo assustada pela movimentação ao meu lado na cama. Lembro que o Theo fugiu de sua cama para a minha, mais uma vez, e encontra-se ali, ao meu lado, sob as cobertas.

Meu menino dorme de costas pra mim e posso perceber que elas se movem de forma diferente…não é a respiração. Algo estranho acontece ali. São soluços. Bem baixinhos, mas doídos, sofridos, como um choro desesperado que não consegue romper o sono para se fazer ouvir.

Instintivamente, abraço suas costas, acaricio seus bracinhos e falo bem baixinho ao seu ouvido: “mamãe está aqui com você. Mamãe te ama. Foi só um sonho ruim”.

Mas o sonho briga comigo…não quer desistir do menino tão fácil assim. E ele continua a soluçar baixinho. Nesse momento, brigo com o etéreo, o abstrato, com o subconsciente do meu filho para trazê-lo de volta. Aperto um pouco mais meus braços em volta dele, esfrego seu peito repetidamente e falo um pouco mais alto em seu ouvido: “Está tudo bem! Mamãe está aqui com você! Mamãe te ama!”. E sinto seus músculos retesados se relaxarem. Os soluços vão sumindo e dão lugar a um profundo suspiro. Ele volta a dormir tranquilo. Talvez sem sonhos…talvez, entrando em um sonho melhor.

E, enquanto ele mergulha nesse sono tranquilo, me vejo inquieta. Tensa. Perco totalmente o sono. Afundo o nariz naquele cabelinho pra sentir seu cheirinho e seu calor e penso sobre o que pode ter acontecido. Teria eu tirado sua inquietação? Tirado sua tristeza por um sonho ruim? Ou peguei-a para mim em troca de minha própria tranquilidade? Será que as mães têm esse poder?

Pois, se foi isso, valeu a troca. Não me importo de perder o sono para que meu menino durma tranquilo. Não me importo de ter seu pesadelo ruim, absorver seus monstros, para que ele sonhe somente com pipoca, playgrounds e a sensação de seu corpo contra o tapete felpudo da sala.

Queria, eu, poder fazer isso toda a vida. Tirar todas as suas dores e trazê-las pra mim, se necessário. Estar sempre ao seu lado para acalmá-lo, confortá-lo, para que ele se sinta plenamente amado e seguro.

Queria, eu, que ele continuasse pequeno, do tamanho do meu abraço. Mas sei que isso não é possível…os sapatos ficam pequenos, as roupas parecem encolher, até a cama dele, de repente, não parece tão grande assim. Meu menino cresce…

Será que todas as mães sentem essa angústia de vez em quando? Lembro-me da minha própria finitude. Não, não sou eterna. Não estarei acolhendo meu garotinho pra sempre.

O que me resta, então? Preparar meu garotinho para o mundo. E fazer o possível para que o mundo o receba em sua melhor forma…para que o país seja aquele que ele merece.

Usar esse meu “poder de mãe” para absorver o presente ruim e transformá-lo em um futuro melhor para o meu filho. Torcer e lutar para que todas as movimentações recentes sejam realmente transformadoras. Para que os vândalos não roubem os holofotes dos pacíficos. Para que cada um aprenda a ser menos condescendente com as próprias transgressões e corrupções do dia a dia. Para que o amor vença a intolerância. Para que as diferenças sejam aceitas e respeitadas.

Eu estou tentando fazer a minha parte. Se queremos mudar o país, devemos, primeiro, mudar a nós mesmos. Sempre há o que melhorar…sempre há coisas a mudar. Que tal a gente se esforçar?

Por um país melhor para nossos filhos. Por um Brasil que valha a pena. Esse é o meu “protesto materno”!  


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