Quando tiramos o peso da comparação dos ombros

Parei de me comparar com outras mães quando percebi que a maioria das pessoas só expõe nas redes sociais sua melhor faceta. Suas melhores fotos. Seus momentos mais felizes com um filtro caprichado.

Tirei um peso do tamanho do corcovado das costas quando entendi que, por trás de um lindo sorriso e uma foto produzida, há vários choros escondidos, angústias abafadas, problemas que não se pode contar. E que a mulher que aparece linda com seu marido e filhos perfeitos nas fotos ainda chora pelo pai que perdeu precocemente.

E a que largou absolutamente tudo para estudar e estimular a filha com deficiência 100% do tempo em que estão juntas se sente sozinha e infeliz.

A loira bonita com jeitão de celebridade que posta fotos de sua última viagem ao exterior descobriu que está com uma doença incurável.

A pessoa que tem o corpo perfeito e posta fotos na academia faz isso por pensar que não tem nenhum valor além dos atributos físicos e sofre de transtorno alimentar.

A verdade é que não existe vida perfeita. Todo mundo tem problemas. Todo mundo tem suas neuroses. Mas o que vemos nas redes sociais muitas vezes nos leva a pensar que só nós somos “losers”. Só nós brigamos com a balança, com a falta de dinheiro, com os altos e baixos do casamento, com as dores da maternidade.

Por isso mesmo, já faz um tempo que comecei a postar aqui, de vez em quando, minhas dificuldades, erros e enganos. Não quero ninguém se comparando comigo e se sentindo menos por chorar, por reviver o luto de vez em quando, por se desanimar, por querer uma passagem de volta ao mundo sozinha. Aqui tem uma mãe que faz isso tudo. 

Também perco a paciência de vez em quando, deixo meu filho no Ipad quando preciso de um tempo, deixo a atividade física de lado em um dia como hoje, em que estou cansada, e tudo o que eu queria era passar a manhã em casa de papo pro ar.

Comparar-se com o inexistente e inatingível só vai trazer angústia e infelicidade.

Queremos a parte bonita que os outros exibem, mas não queremos o pacote anexado de mazelas que não vemos.

Cuidado com as comparações. Todo mundo tem um lado que você não conhece. Todo mundo tem problemas e defeitos.

Você não tem que ser como a fulana. A fulana pode ter aberto mão de mil coisas pra ser assim e, de repente, até se arrependeu.

Você não “tem que” nada. Você sabe o que se passa na sua casa, conhece seus limites e suas necessidades.

Cuide-se. De corpo e de cabeça. Seja boa com você mesma. Tente sempre ser uma versão melhor de quem você era no ano passado. Isso deve dar conta do recado.

Quanto à sua parcela “mãe”, você ama o seu filho? Quer o melhor pra ele? Então confie em você mesma, faça o seu melhor e pare de sofrer por parâmetros irreais.

P.S: hábitos ruins a gente não elimina assim. Claro que ainda tenho minhas recaídas de comparação. Mas o importante é tomar consciência e tentar ir se livrando disso aos poucos.  

(Os conteúdos produzidos por Andrea Werner e disponibilizados neste site são protegidos por copyright e não podem ser reproduzidos, total ou parcialmente, sem autorização expressa da autora, mesmo citando a fonte)

Foto: Shutterstock

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