Theo, autismo, preconceito e inclusão

Vou falar um pouco do Theo como ele está agora, praticamente fevereiro de 2012. Por que? Porque ele, assim como qualquer outra pessoa, está sempre mudando. No caso dele, duas coisas influenciam essa mudança: as terapias intensivas que ele faz e seu próprio crescimento e desenvolvimento. Uma coisa, muito importante, precisa ficar clara. Theo é, acima de tudo, uma CRIANÇA. É beijoqueiro e carinhoso, gosta de cócegas, de dar risadas, passear, pular na piscina.

O autismo não define quem ele é

Isso se comprova pelo fato de que muitas pessoas só percebem que tem alguma coisa de diferente nele após algum tempo de observação…ou depois que eu conto qual é essa diferença. E é aí que mora o perigo do preconceito.

gargalhadas com o vovô


Já aconteceu de estarmos no shopping, na piscina de bolinhas, e eu comentar com a mãe ao lado “aquele ali é o Theo, meu filho, e ele é autista”. A reação foi “nossa, jura?! Não parece!”. À primeira vista, ele parece uma criança tímida. O fato de não falar, ainda, colabora com essa idéia. Mas, então, como o autismo dele se manifesta? Em algumas coisas bem específicas, que vou explicar a seguir:

  1. Como eu já mencionei antes, Theo ainda não fala (aos 3 anos e meio). Quando era pequeno, ele cantava pedacinhos de músicas, mas parou. Atualmente, há poucas palavras que ele fala todos os dias. Em geral, são “papai”, “mamã” e “Bibi” (a babá dele). Começou, recentemente, a dar “oi”. Mas isso, também, é quando ele quer. Tem repetido algumas palavras que ouve (a famosa “ecolalia”). E isso é positivo, porque toda criança começa a falar por repetição. (YAY!)

  2. Theo tem as famosas “estereotipias”. Isso é bem comum em autistas. Estereotipias são movimentos que eles usam para se acalmar ou para tentar se expressar. E elas vão mudando. Tinha uma época em que ele balançava as mãozinhas. Depois, passou a dar tapas no peito, feito um King Kong. Depois, cruzava os dedinhos de uma maneira que parecia que eles iam se quebrar. E por aí vai.

  3. Birras. Theo apresenta birras com uma certa frequência. Além da razão normal a qualquer criança – da birra por não ter um desejo satisfeito – , autistas tem mais dificuldade em lidar com a frustração. Um simples “não” pode ser motivo pra essa criança se jogar no chão e espernear um bocado. Outro motivo frequente das birras dele é a dificuldade em comunicar o que quer. Quando é um objeto, ele aponta. Mas, muitas vezes, quando o desejo é mais abstrato, ele fica excessivamente frustrado por não conseguir se comunicar.

  4. Manias. Eu espero que esse tópico 4 não dure muito aqui. Porque, sinceramente, a única mania que ele desenvolveu veio nas férias. Tenho esperança de que irá embora com elas, também! A mania atual é andar sempre com objetos nas mãos. E, de preferência, usar um para cutucar no outro.

  5. Dificuldade para seguir comandos (ex:”pegue a bola ali pra mim”). Ele já melhorou 80% nesse quesito. Mas ainda tem um certa dificuldade.

  6. Falta de imaginação – o brincar. Meu garotinho não sabe brincar com seus brinquedos. Na criança autista, em geral, a parte da “imaginação” – que faz as crianças normais brincarem de tomar chá com a xícara vazia – é bem falha. Mas estamos melhorando! Ele já pega os brinquedos, mesmo sem saber, muito bem, o que fazer com eles. Há uns 6 meses atrás, a única coisa que ele curtia era o DVD.

  7. Dificuldades de socialização com outras crianças. Ele ainda prefere a companhia de adultos.


E o que você, leitor ou leitora, que tem um filho típico (=”normal”), tem a ver com isso? Quando eu era solteira ou sem filhos, ficava, muitas vezes, irritada, com crianças gritando em restaurantes, fazendo birra nos aviões, nos corredores do shopping e por aí vai. Cheguei a dar alguns olhares enviezados para os pais dessas crianças, visivelmente constrangidos com a situação.

Ah…você já entendeu, não é mesmo?! Pois é…como é que a gente sabe se essa criança, dando chiliques e se jogando no chão, não é autista?? Hum… Nem preciso dizer como fiquei infinitamente mais tolerante, certo?!

Tolerância e aceitação, a gente passa para os filhos, também. De repente, agora que você sabe de tudo isso, vai começar a reparar mais nos coleguinhas que o seu filho tem na escola. E vai perceber que, tem ali, um que prefere ficar mais isolado, ou que não sabe brincar como os outros, ou que grita e faz coisas estranhas com as mãos.

Que tal começar a ensinar ao seu filho que, assim como existem pessoas brancas e negras, existem pessoas que andam com as pernas e outras que precisam de uma cadeira de rodas, existem pessoas que mexem as mãos, cutucam o brinquedo, gritam quando estão chateadas…esse assunto vai longe, não é mesmo?!

Inclusão começa em casa. Não é papel exclusivo das escolas ou do Estado. Criar pessoas menos preconceituosas, também.

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