Lugar de deficiente é em casa

“LUGAR DE DEFICIENTE É EM CASA”, foi o que acabei de escutar no supermercado ao solicitar a vez no caixa prioritário, considerando que já se aproximava da hora do almoço e meu filho já dava sinais de irritação, sintoma comum a Autistas. A caixa e o ajudante de caixa prontamente solicitaram ao cliente, que não era prioritário, que me desse a vez, eles se recusaram, tive que dar leite e salgadinho …para acalmar meu filho que a essa altura já estava “em crise”… Meus amigos, até quando teremos que suportar tanta INTOLERÂNCIA?????????????”   Li, ontem, esse relato de uma mãe no Facebook. O nome dela é Ivna Gadelha, e ela é presidente da Associação Casulo. Segundo ela, esse fato lamentável aconteceu dentro de um Hiper Bompreço, em Teresina. E fico pensando aqui: além de todas as outras coisas com as quais as mães de crianças com necessidades especiais tem que lidar, ainda tem que se preocupar em não “incomodar” as pessoas. Justo, não?! E me arrisco a dizer o seguinte: pessoas, em geral, que tem esse tipo de posicionamento – como “lugar de deficiente é em casa” – são as mesmas que carregam vários outros preconceitos. E é fácil entender isso. Quer ver só? Basta substituir a palavra “deficiente” por qualquer outra que represente minoria:

  1. Lugar de mendigo é em casa (e não na pracinha que você frequenta).

  2. Lugar de homossexual é em casa (e não de mãos dadas, andando na rua, pra todo mundo ver)

  3. Lugar de negro é em casa (e não aqui, frequentando a mesma loja de shopping que você)

  4. Lugar de mulher é em casa (quem nunca ouviu essa?)

Hum…faz sentido, não é?! Porque tem gente que é muito sensível (estou sendo irônica). Pra quem é assim, ver deficientes, negros, mendigos ou qualquer outra pessoa que não se encaixe no padrão perfeito que eles tem na cabeça incomoda muito. MUITO!  Afinal de contas, não é assim que deve ser. Todo mundo deveria ser branco, heterossexual e neurotípico (“normal”).

E, os que levam esse tipo de pensamento mais a sério, são aqueles que vemos, nos jornais e na tv, queimando mendigos nas ruas e batendo em travestis nas esquinas.

E sabe o pior? Essas pessoas se acham SUPER originais!! Deixa eu contar uma coisa pra elas: não são. Gente com esse tipo de pensamento existe desde que o mundo é mundo.

By the way, teve uma pessoa muito famosa, que levava isso muito a sério, e tinha poder nas mãos pra fazer algo a respeito.


Imagem: Shutterstock

 “Nossa, Andréa, mas você está exagerando. Hitler só tinha problema com judeu”. Engano seu, meu amigo. Hitler tinha problemas com todo mundo que ele não considerava digno de se reproduzir. Afinal de contas, o sonho dele era criar uma raça ariana totalmente “pura”, seja lá o que isso significava pra ele. Procure um documentário no Netflix chamado “Auschwitz”. Você vai ver que as primeiras pessoas mandadas para a morte nos campos de concentração foram os residentes de manicômios.

Então, para pessoas como Hitler, homossexuais, negros, judeus, deficientes de todos os tipos, ciganos e mendigos deveriam ser exterminados. E ele levou seu plano doentio adiante, não é mesmo?! A história está aí pra comprovar.

E, tudo pode piorar: hoje, sabemos que a população apoiou! Todo mundo que já tinha, ali, no fundinho da cabeça, um “incômodo” ao ver esses “sub humanos”nas ruas, apoiou tudo!

Daí, você pensa “ok, mas isso foi na segunda guerra mundial, faz tempo, e estamos no Brasil”. Daí, eu tenho que te contar que nós temos uns representantes assim no Congresso Nacional. Quem não viu, ano passado, aquele deputado (que eu me recuso a citar o nome) dizendo que o filho não se casaria com uma negra porque “foi bem educado em casa”? E eu ainda tive que aguentar pessoas conhecidas minhas, via Facebook, escrevendo coisas como “Fulano para presidente”. É de doer ou não é??

Então, pra você, meu senhor ou senhora, que disse pra essa mãe que “lugar de deficiente é em casa”, vou responder com classe: você conhece a Declaração Universal dos Direitos Humanos? Pois é. Ela foi redigida, na ONU, justamente após a Segunda Guerra Mundial. Após o Holocausto! Não conhece? Aqui vai um resuminho:


  1. Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos;

  2. Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,  religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição;

  3. Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Traduzindo: os deficientes são tão livres para ir e vir quanto você! O mendigo pode, sim, ficar na pracinha que você frequenta! E quanto às outras minorias…bem…eu acho que você já entendeu.

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