Os direitos dos outros

“Primeiro eles vieram atrás dos comunistas, mas eu não era um comunista, por isso eu não falei em favor deles. Depois eles vieram atrás dos socialistas e dos sindicalistas, mas eu não era um deles, por isso eu não falei em favor deles. Depois eles vieram atrás dos judeus, mas eu não era um judeu e por isso eu não falei em favor deles. E quando eles vieram atrás de mim, não havia mais ninguém para falar em meu favor.”Martin Niemoller (1892-1984)

Apenas torça pra que não comecem a achar o seu filho uma aberração e digam que algum Deus o abomina com base em um livro sagrado.

 Torça pra que não comecem a falar que os autistas não querem direitos iguais, mas “privilégios” ao lutarem por centros exclusivos de atendimento.

 Torça pra que não comecem a dizer que autistas não deveriam poder frequentar playgrounds, cinemas e aviões porque “tudo bem ser autista, mas ninguém tem obrigação de ficar aguentando autistas fazendo barulhinhos por aí”.

 Torça pra que não comecem a dizer que ser autista é psicológico ou é escolha, porque não há um “gene autista”.

 Torça pra que alguém não sugira que todos os autistas deveriam ser colocados em uma ilha por 50 anos.

 Torça pra não dizerem “eu respeito o autismo, mas não concordo”.

 Torça pra que não comecem a dizer “tudo bem ser autista, mas não precisa ser tão afetado”.

 Torça pra que não queiram proibir autistas adultos de se casarem ou de terem filhos porque “isso não é natural e sabe-se lá como uma criança vai crescer em um lar assim”.

 Torça pra que não comecem a dizer que há uma “ditadura autista”, agora que os pais de autistas estão se mobilizando para garantir seus direitos.

 Torça pra ninguém ir à tv aberta e falar que “autista é aberração, tem que se tratar, não pode conviver em sociedade e tem que ser combatido pela maioria”. E, depois, torça pra que não defendam essa pessoa dizendo que “ela só deu sua opinião”.


Imagem: http://1.usa.gov/1rAS8ns


 Muita gente sofre preconceito por vários motivos. Mas ninguém é atacado com uma lâmpada fluorescente na cabeça só por ser gordo. Não há pessoas sendo mortas todos os dias, no Brasil, pelo simples fato de serem evangélicas. Mas isso é algo constante na vida de homossexuais, transexuais e travestis (ou LGBTs).

 Os mesmos nazistas que mataram milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial, eliminaram, também, homossexuais, ciganos e deficientes físicos e mentais. Hitler considerava autistas e esquizofrênicos tão merecedores da morte quanto os homossexuais.

 Nossos filhos também são indesejados por muita gente. Nossos filhos também “incomodam”.

 Um dos meus maiores aprendizados em um ano de vida no exterior é que, via de regra, quanto maior o reconhecimento dos direitos das mulheres e das minorias, mais desenvolvido é o país. A separação entre Estado e religião, que anda de mãos dadas com os direitos das minorias, também é um indicativo.

 Não se engane: nossos filhos autistas são tão minoria quanto os LGBTs.

 Eu acredito em direitos iguais. Eu acredito que os direitos das pessoas com deficiência e os direitos dos homossexuais são, simplesmente, direitos civis. E eu acredito que ninguém tem o direito de impor sua crença sobre as outras pessoas.

 Todo mundo pode emitir sua opinião. Mas dizer “é a minha opinião” não torna ninguém imune a críticas. Ou a processos. É o discurso de ódio que dá a munição para que pessoas peguem lâmpadas fluorescentes e saiam por aí acertando os outros.

 Pai de autista com discurso de ódio contra homossexuais é o fim do mundo.

 Mais amor, por favor.

Atenção: este espaço celebra a diversidade humana em todas as suas formas. Não vou ser tolerante com a intolerância. Discurso de ódio ou preconceito disfarçado do que quer que seja não vai ser aceito no blog ou na fan page. 

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