Os melhores avós do mundo

Quando falamos de vovó e vovô, há sempre dois pontos de vista: o dos netos e o dos pais. Para o netinho ou netinha, casa dos avós vai ter sempre cheio de comida caseira pronta, de bolo quentinho.

Li, um dia, uma frase de Mia Couto que diz que “cozinhar é um modo de amar os outros”. E, geralmente, dessa arte, as avós entendem muito bem. O que a criança quer é colo e conforto. Quer se sentir amada e acolhida. E isso vem através da comida quentinha da vovó também. O vovô geralmente é o cara que brinca mais, que leva pra andar de bicicleta, que aguenta o netinho nas costas até quando der. Vovô é diversão.

A melhor coisa que um avô e uma avó podem fazer por seus netinhos é amá-los. Sem distinção. Sem preferências. Sem reservas. Amar tudo e apesar de tudo. Aceitar o netinho ou netinha que chegou de coração aberto. Acolher aquela criança no canto mais quentinho do peito e usar isso como um elixir de rejuvenescimento. Torcer por ela, vibrar com ela.

Tenho uma lembrança ruim de um avô que me deu um beliscão nas pernas porque subi em um portão. Lembranças que não vão…a vida é assim. Vô é pra ser diversão. Vô não devia rimar nunca com beliscão.

Para os netinhos, acolher é a palavra.

Quanto aos pais do netinho e da netinha, independente de ser um genro (ou nora), filho (ou filha), o que necessitam é apoio. Em todas e difíceis fases da maternidade e da paternidade pelas quais ambos os avós já passaram. Necessitam da sensibilidade dos pais ou sogros quando o cansaço passar dos limites e ajuda for essencial.

Os avós podem e devem ser os principais pontos de apoio dos pais da criança no momento do aperto. Necessitam sentir que seus filhos são amados e aceitos com tudo e apesar de tudo. Querem sentir a presença de seus pais – os avós – na vida dos filhos: na lembrança do aniversário, no recadinho, no email, na ligação, no Skype/Facetime ou o que for possível quando, muitas vezes, a distância for um impecilho.

Necessitam se sentir respeitados em seus papéis de pai e mãe. Avô e avó NUNCA devem desautorizar os pais, principalmente na frente das crianças. Discordar é sempre normal, mas questionar as ordens ou a autoridade de um dos pais na frente da criança é daquelas coisas que dá um nó na garganta da gente. Se a mãe diz que não é pra comer o doce naquele momento, é assim que deve ser. Negociações podem ser feitas em outro momento, mas a criança nunca deve ser levada a entender que a mãe ou o pai não têm razão no que pedem ou ordenam.

E, acima de tudo, que vovô e vovó tenham a humildade necessária, para, às vezes, descer do pedestal das “várias décadas de experiência” e perceber que não foram pais perfeitos. Não existem pais perfeitos. Existem pais dispostos a melhorar. É fácil passar uma lista de regras para que os outros cumpram. Que tal tentar calçar os sapatos dos seus filhos, genros e noras? O que você cobra é factível? Você seria capaz de fazer o mesmo? Você já tentou ver a situação pela ótica do seu filho, filha, genro ou nora? Já pensou por que eles agem da forma que você não considera a ideal?

Compreensão. Entender que o rumo da vida do seu filho ou filha foi outro. A bagagem de informações que eles têm é outra. A formação emocional deles é diferente. As decisões que ele ou ela tomam com relação aos filhos não são vazias. Têm uma razão de ser.

E eles tentam fazer o melhor. Aquela criança é a vida deles. Conselhos são sempre válidos. Julgamentos de valor devem ficar de fora. Todos amam a criança. Todos querem o melhor para ela. Mas quem toma as decisões em última instância são os pais.

Amor, acolhimento e apoio. Assim se faz os melhores avós do mundo!  

Nota: o texto não foi escrito para ninguém em especial. A inspiração veio dos vários emails de desabafo que recebo todos os dias.

(Os conteúdos produzidos por Andrea Werner e disponibilizados neste site são protegidos por copyright e não podem ser reproduzidos, total ou parcialmente, sem autorização expressa da autora, mesmo citando a fonte)

Imagem: Shutterstock

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