Autismo e independência: como estimular

Algumas verdades da vida são (quase) incontestáveis. Aqui vão duas:

  1. Pais estão sempre com pressa

  2. Pais sempre querem ajudar os filhos.

E, falando no geral, tudo bem. Isso não é problema. Desde que a gente não esteja, com a melhor das boas intenções, atrapalhando o desenvolvimento dos nossos filhos. No caso da criança com autismo ou com outra deficiência, a boa intenção entra mesmo no caminho. Não é raro que elas tenham dificuldades motoras. Então, tarefas que são relativamente simples para outras crianças – como calçar os sapatos, por exemplo – acabam sendo mais difíceis para nossos pequenos. E o que faz a mãe ou o pai quando nota a dificuldade do filho? Faz pra ele. Rá! Porque quer ajudar. Ou porque está com pressa. Ou uma mistura dos dois.

Alto lá, gente! Sou a primeira a fazer mea culpa aqui! Eu tenho EXTREMA dificuldade com isso. Quando vejo, já estou fazendo por ele. Porque é mais fácil, mais rápido, mais tudo. Ou porque ele reclama. Claro que vai reclamar, né?! Não é muito mais fácil sentar, esticar o pézão e ficar esperando a mamãe calçar a meia e o sapato? Eu criei o problema! Ok. Eu errei, mas estou correndo atrás do prejuízo. E vocês podem ver isso no vídeo abaixo.


Primeira coisa que vocês, com certeza, notaram: demora. Sim, demora! Primeiro porque ele ainda está aprendendo. Segundo, porque ele é muito espero e SEMPRE vai tentar me enrolar pra ver se eu tomo as rédeas e faço por ele. Mas estou resistindo bravamente! Mesmo com alguns resmungos de chateação.

Segunda coisa que preciso que vocês notem (se não viram, por favor, voltem o filme): a cara de satisfação que ele faz quando consegue terminar de calçar os sapatos. Gente! Nossos meninos têm noção de suas limitações! Têm noção do que é difícil pra eles! Estimular a independência e deixar que eles façam esse tipo de tarefa é bom pra autoestima deles! É bom pra mostrar que eles podem, eles conseguem. Dá o combustível da coragem pra que tentem mais coisas inéditas!

Infelizmente, algumas situações não mudam se a gente não mudar. Tenho pensado muito nisso. Se eu não começasse esse processo, provavelmente estaria, daqui a uns anos, calçando tênis no pé de um rapaz de 15 anos e 1,80 metro! Portanto, mãos à obra!

No início, coloque a sua mão sobre a dele e mostre como abrir o tênis. Guie a mão dele para colocar o sapato no pé. Quando perceber que ele já segura, diminua um pouco a força. Até que possa ir tirando a sua mão e só dando direcionamentos ou ajudas pontuais. E vibre muito, MUITO quando ele terminar! Esse é o incentivo maior!

Colocar os sapatos foi só um exemplo. Aqui, o trabalho vai ser duro: escovar os dentes, se lavar no banho, colocar a roupa. Um dia de cada vez. O importante é ter o objetivo em mente e fazer acontecer. 🙂  

Imagem: Shutterstock

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