Filho, vamos falar sobre autismo?

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Há alguns dias, recebi um pedido de uma mãe de um menino autista de 7 anos: postar um “ajude uma mãe” na fan page do blog perguntando como contar a seu filho que ele é autista.

Algumas respostas foram tão legais que resolvi transformar isso em um post. Espero que ajude a você que está na mesma situação!


“Preferimos, primeiramente, trabalhar sua autoestima com auxílio da terapia comportamental. Talvez seja melhor ouvir, primeiramente, esse profissional, do que um psiquiatra que atende nossos filhos por 2 sessões. Em casa explicamos o porquê de certas atitudes não serem muito bem aceitas por outras crianças, o que demanda muitas repetições e tempo, já que nossos pequenos têm dificuldade na percepção dos códigos sociais. Demorou um pouco mas ele, sozinho, percebeu quando estava mais agitado, aprendeu a lidar melhor com as frustrações e, há pouco tempo, perguntou se era autista. Afirmei que sim, expliquei o que é e porque ele é, em linhas gerais, explicando, por exemplo, por que ele não come uma porção de coisas, por que não gosta de ir no cinema, etc. Cada criança tem o seu tempo, e eu preferi esperar o tempo do meu, sempre dando o suporte necessário.” ~ Renata Oda

“Sou psicológa e começaria dizendo pra ele que todo ser humano tem qualidades e defeitos. Primeiro, tiraria um dia para falar sobre todas as qualidades dele, faria recorte de revista, procuraria no tablet… Usaria a ferramenta mais fácil para ele. Noutro dia falaria sobre todos os autistas bem sucedidos, que tiveram sucesso no que se dedicaram. Depois falaria que cada um deles tem uma dificuldade e as listaria, mas faria isto com figuras. Depois daria o nome. Para mim o mais importante não é o nome autismo, são as limitações que ele tem, que precisa ter ciência para aprender a lidar com elas.” ~ Maria Isabel Rozzetto

“Sei que o meu filho ouve inúmeras vezes a palavra autista aqui em casa e um dia terei também que dar conta disso! Então, tento, desde sempre, passar o autismo como parte de quem ele é! Como ter a pele clara, escura….faz parte da singularidade de cada um. E ser autista é apenas mais uma dessas infinitas características que compõe cada indivíduo e que, se todo ser humano fosse honesto, justo e leal como ele, o mundo seria muito, muito melhor!! Que ele se ame, se aceite sempre, não permita que ninguém determine onde ele chegará e siga respeitando ao seu próximo sempre!” ~ Carla Lopes

“A minha sempre soube. Talvez pelo fato de ter tido a Alessia muito nova, nunca parei pra pensar sobre o fato dela saber ou não, foi uma coisa natural da minha parte e não me arrependo. Hoje, se tivesse um outro filho, na mesma situação, faria igual. Quando ela me perguntou o que era “autismo”, respondi que era uma forma diferente e bonita de se ver o mundo…..e ela achou isso incrível, pois se enquadra direitinho no que ela é, exótica e maravilhosa. E lá se vão 10 anos de criança fantasiada de Super Mario no supermercado, de corridas desenfreadas pela rua e pulos intermináveis de felicidade. Faça o que seu coração de mãe achar melhor.” ~ Paula Barretto

“Meu filho foi diagnosticado aos 8 anos com Síndrome de Asperger. Ele começou a tratar e eu fui vendo com o tempo se ele estava maduro para saber do diagnóstico. Sou professora e tenho alunos autistas, então, o assunto autismo era muito comentado em minha casa, ele sempre ouvia. Um dia, em uma dessas conversas, ele me disse que ser autista deveria ser bom, pois eles são muito inteligentes, e foi bem aí que contei pra ele. Perguntei assim: “e se você fosse autista? Teria problema?”.  “Não!”, ele respondeu. “Então, quero te dizer que você é!”. “É verdade, mãe?”. “Sim. Por que será que você vai ao Psicólogo, terapeuta toda semana? É porque nós descobrimos que você é autista!”. Expliquei sobre a síndrome, quem já sabia, o motivo dele ter movimentos repetitivos e ele ouviu tudo e demonstrava satisfação. Quando chegou perto do seu pai, ele contou e disse que estava muito feliz, e que agora ele iria fazer de tudo pra ficar sempre bem. Hoje, ele está com 9 anos. Foi a melhor coisa que fiz! Depois dessa conversa, ele melhorou muito e as crises diminuíram. Faça o mesmo, observe o momento certo, se já tem maturidade suficiente para entender! Sucesso para vocês!” ~ Fernanda Milane

“Meu filho também é autista leve, mas ainda não tem idade suficiente para essa conversa. Quando chegar o momento de contar que ele é autista, quero explicar para ele que todas as pessoas são diferentes, algumas mais do que outras, e que a cabecinha dele funciona de uma forma diferente da maioria das pessoas. Quero explicar as dificuldades que ele tem devido ao autismo (pretendo não usar a palavra dificuldade), mostrando para ele que todas as pessoas têm limitações e qualidades. O mais importante para mim quando penso nessa conversa será não vitimizá-lo e conseguir demonstrar para ele que pessoas neurotípicas também têm limitações, e que isso não as torna menos do que ninguém.” ~ Talita Moura

“Vou contar a experiência muito recente com a minha filha mais velha (que não é autista , mas é irmã de uma que é autista moderada a grave). Mudei ela de colégio e, assim que chegou, fez amizade com um garoto “diferente”, vítima de bullying. Pois bem. O ano passando e minha filha sempre defendendo o amigo. Por conta da irmã, fez uma redação contando sobre o autismo, e o quanto é importante o amor e o respeito ao próximo. As crianças adoraram! Ela, depois de um tempo, conversou com a professora e questionou sobre se o amigo não seria autista, e disse para que a escola falasse com a mãe. A escola falou e a família foi investigar e, no fim do ano, veio o diagnóstico tdah+autismo. Conclusão: o bullying, muitas vezes, acontece por falta de conhecimento. Converse, primeiramente, com a escola, coordenador e professor. Mostre para seu filho o quanto ele é importante e o quanto ele é amado e respeitado. Explique para ele, de uma forma lúdica, que precisa e é saudável existirem diferenças, e que todos podem e têm um dom a ser trabalhado e apreciado. E que ser autista não é vergonha, é só uma maneira diferente de ver o mundo! Hoje, na escola de minha filha, os coleguinhas são muito mais inclusivos, porque aprendem a amar e respeitar as diferenças!” ~ Victoria Mendez

“É necessário contar para a criança entender o porquê ela pensa/age diferente da maioria. É um direito dela. Só se conhecendo ela vai poder aprender a lidar consigo mesma. Eu tive a mesma dúvida sobre falar ou não para o Mateus, meu filho autista leve, quando ele era mais novo. Quando falei, foi ótimo. Ele morre de orgulho de si mesmo e se acha diferente de uma forma positiva, e não menor ou vitimizado. Ele passou a se sentir mais confortável consigo mesmo. Ele sabe que ele é autista leve e o irmão é autista severo, ele sabe a diferença e semelhanças. Ele só se sentirá vítima se o tratarem dessa forma. Acredito que o amor e a verdade são os melhores caminhos.” ~ Ana Ziemer

“Tenho 2 filhos autistas. Desde o diagnóstico, eu escolhi tratar isso como normal. Tento mostrar sempre o lado positivo. Por exemplo: você desenha bem porque você é autista e o autismo te ajuda a ter essa facilidade. Você sabe tocar piano porque o autismo te ajuda. Vcocê tem algumas dificuldades, mas o seu coleguinha também tem. Você desenha melhor que ele, ele tem mais amigos, mas você faz coisas que ele não sabe. Essa é a minha forma de falar com ele. Ele desde sempre soube do autismo dele. E sempre usei vocabulário normal. Você tem que sentir isso pra poder convencer ele e o resto do mundo que ele é diferente como todos somos. Que ele tem os mesmos direitos. Não  fale pra ele querendo dizer: infelizmente, você tem autismo! Fale da forma mais natural possível.” ~ Juliana Dutra

“Meu filho tem 7 anos, é asperger, frequenta escola regular, tem uma professora auxiliar em sala e faz terapia com psicóloga. Ele sempre me via lendo, ouvia nossas conversas, e um belo dia me perguntou com todas as letras: “mãe, eu sou autista?” “o que é um autista?”. Então, eu expliquei que existem pessoas com jeitos diferentes de ser, com habilidades diferentes e dificuldades diferentes. Como ele, que adora falar em bandeiras, mapas, países, e só gosta desse assunto, sem se interessar por outros. Tem dificuldades de se concentrar, de entender o que as pessoas falam ou responder olhando nos olhos. Também expliquei que alguns não conseguem falar ou demonstrar sentimentos, e ele logo lembrou de uma menina autista clássica que a professora auxiliar dele também assiste na escola. Conversamos bastante, tentei falar de uma maneira que ele entendesse, e no final ele me surpreendeu falando uma frase que ele leu na minha camiseta: “já sei, mãe, o autismo é apenas uma maneira diferente de ver o mundo, com um jeito único de ser”. ~ Grasiela Gomes

“Em 2014 para 2015, por questões de falta de apoio com inclusão escolar e despreparo de professores e coordenação escolar, precisei mudar o Miguel de escola. Até então, ele não sabia de nada. Em 2015, já na escola nova e com idade de 8 para 9 anos, achei que seria o momento de contar sobre suas condições. Só fizemos isso porque tanto eu como o pai estávamos preparados para falar sobre o assunto, e eu sabia que teria o respaldo da escola e dos professores de lá. Dias anteriores ao Dia Mundial do Autismo, comecei a falar sobre as características do autismo, sempre dando ênfase às suas próprias dificuldades. Após a conversa, eu perguntei se ele sabia o porquê do assunto e ele me disse: “Sim, mamãe, você está querendo me dizer que sou autista”. Ufa! Meio caminho andado. Na escola, perguntei se ele poderia levar fitinhas azuis para dar aos amigos e de pronto a professora abraçou a causa. Tanto ele como todas as crianças da escola tiveram um 2 de Abril incrível. Fizeram canções, roda de bate-papo, homenagem com frases de apoio…Lindo mesmo!!! Em casa, ficava só imaginando como ele estaria absorvendo tanta informação naquela cabecinha que não para um minuto. Quando fui buscá-lo no final da aula, ele me disse com um sorrisão: “Mamãe, sou um menino autista beeeeeeeeeemmmmmmmm levinho. E sabe o que isso significa? Que posso fazer tudo, como qualquer outra criança”. Pronto! Meu coração estava aliviado. Chorei. Aliás, chorei pra caramba. Ele estava bem e muito feliz. Hoje, falamos abertamente sobre o assunto. Ele e eu temos loooooonnngaaasss conversas sobre suas dificuldades e ficou muito mais fácil lidar com certas situações estressantes. Meu conselho a você: Prepare-o para contar, nem que isso leve meses. Não o subestime, ele sabe que é “diferente”. Transforme o “dia da revelação” em um dia muito especial com muito amor e carinho. Esteja preparada para tudo ou nada. Ele vai te encher de perguntas ou simplesmente te abraçar e seguir com sua vida. E aguenta coração! Você sofrerá fortes emoções”. ~ Juliana Barella

“Quando uma psicóloga me contou que deveria falar sobre o diagnóstico com meu filho, fiquei arrasada. Passou um tempo e pensei muito. Resolvi introduzir a palavra autismo aos poucos em casa. Me permitia só dizer os casos de sucesso, mas claro que aos poucos também dizia as características não tão boas. Aproveitava e também dizia algumas características que ele apresentava (como ansiedade, por exemplo). Mas sempre falava com otimismo e leveza. Fiquei um ano fazendo isso e sempre pedia a Deus para me iluminar quando eu dissesse que ele era autista. Então, num domingo à tarde, estava sozinha com ele e comecei a falar do Bill Gates, Tesla, Einstein… mas sempre dizendo as características dele de uma forma bem leve, até que ele parou de mexer no Lego e perguntou se era autista. Eu disse que sim. Ele me perguntou se era doença incurável e se podia matar. Eu disse que não, que era só uma característica, assim como uns nascem brancos, ruivos, altos… que era algo normal e que muitas pessoas também eram, e que levavam uma vida normal. Ele perguntou se eu era. Eu disse que sim. Então ele se levantou e deu o primeiro abraço, o primeiro beijo em mim e a primeira vez ‘eu te amo’ e disse: ‘ainda bem que você é igual a mim. Eu te amo’. Foi o dia mais lindo da minha vida. Chorei muito e agradeci muito a Deus por ter me preparado e por ter sido o momento perfeito para nossas almas. Foi lindo demais, mamães. Até hoje, quando lembro desse dia, choro demais de emoção. Desde aquele dia, nossos laços de confiança se fortaleceram, e ele passou a se entender melhor, a se observar e a se analisar, e, principalmente, a autoestima dele aumentou bastante. Só coisas boas aconteceram”. ~ Sarah Nivea

Livros sobre o assunto

Alguns livros infantis que tratam da diferença como algo natural e positivo e podem ser usados nesse momento (dicas da Raphaelle Vicentin):

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Imagem superior: Shutterstock

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