Quando seu filho se encontrar com o meu

Quando seu filho se encontrar com o meu na pracinha, explique pra ele que cada criança aprende em seu ritmo. E que o coleguinha ainda está aprendendo a falar. Mas que ele demonstra se está feliz ou triste através dos barulhinhos que faz, do sorriso no rosto ou das rugas na testa, dos pulinhos e das mãos que balançam. E basta prestar atenção que a gente consegue entender muita coisa através desses sinais!


Quando seu filho se encontrar com o meu na minha ou na sua casa, explique pra ele que as pessoas são diferentes e gostam de coisas diferentes. Do mesmo jeito que ele gosta de empurrar os carrinhos e fazer “vruuuummmm”, o coleguinha gosta de enfileirar um por um e deixar tudo super organizado! Mas que, com certeza, eles vão achar algum interesse em comum para brincarem juntos! 

Quando seu filho se encontrar com o meu no playground, explique pra ele que o colega corre atrás dele porque quer brincar, mesmo sem saber ainda dizer isso. Se ele tocar no cabelo da sua filha, explique que ele achou o cabelo muito bonito. E que ele se aproximar do seu filho ou filha significa que gostou dele (ou dela).

Quando seu filho se encontrar com o meu em um aniversário, explique pra ele que o colega tem uma super audição e escuta os barulhos mais altos do que realmente são. Por isso ele tampa os ouvidos na hora do parabéns.

Quando seu filho se encontrar com o meu na escola, explique pra ele que o colega pode parecer não escutar, mas ouve tudo que é falado perto dele (lembra da super audição?). Ele também se incomoda mais com algumas coisas, como a etiqueta da roupa ou a cor da parede, porque ele percebe tudo de uma forma diferente. Sabia que até a luz da sala pode machucar os olhos dele, que são mais sensíveis? E, às vezes, tudo isso que ele percebe se mistura dentro da cabeça e o deixa muito confuso. Nessas horas, ele pode chorar, fazer muitos barulhos e se mexer muito. É importante que seu filho seja paciente e solidário: explique que ele deve se afastar um pouco, falar com o colega com voz calma e esperar que ele se recupere.

Quando tiver a oportunidade, explique para o seu filho que as pessoas são diferentes. Uns andam com as pernas, outros andam com uma cadeira. Uns falam, outros se expressam através de sinais, de barulhinhos, de aplicativos no tablet. E que o mundo tem mais graça assim: cada um de um jeito, com a roupa de um jeito, com o cabelo de outro jeito. Mas que, apesar das diferenças, todos têm os mesmos direitos e querem a mesma coisa: ser felizes.

Pode ser que, em algum momento, meu filho empurre o seu. Assim como pode ser que, em algum momento, seu filho bata no meu. Crianças beijam, abraçam, demonstram carinho de variadas formas. Crianças brincam. Crianças fazem bagunça. Crianças também brigam, mordem, batem às vezes. E isso independe de serem autistas, terem síndrome de down, qualquer outra condição ou nenhuma. Crianças são seres que ainda estão aprendendo a lidar com as emoções e precisam dos adultos para guiá-las, e isso independe de qual criança estamos falando. 

Quando seu filho se encontrar com o meu em qualquer lugar, não os afaste. Não reaja com medo. Não demonstre preconceito. Tem dúvidas? Fale comigo! Tente entender, aja com naturalidade, diga “oi”! Crianças aprendem sobre o que devem aceitar, temer ou rejeitar através dos pais. Ensine-o a aceitar a diferença através da sua atitude. Eduque-o para a diversidade!

Se queremos um mundo melhor no futuro, devemos formar pessoas melhores para construí-lo. E isso é trabalho de todos nós! Vamos começar?

Imagem: Shutterstock

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